SÃO PAULO — Credores da recuperação extrajudicial da Braskem se manifestaram contra o recurso apresentado pela empresa para retomar aportes financeiros à Bakide, subsidiária mexicana também chamada de Braskem Idesa. O documento foi enviado nesta terça-feira (29) à Justiça de São Paulo.
Para o grupo, a continuidade dos repasses representa risco aos créditos incluídos na reestruturação da Braskem no Brasil. Os credores sustentam que a suspensão cautelar apenas interrompe temporariamente novos aportes e obrigações, até que a companhia esclareça os pontos questionados.
A Braskem protocolou o recurso na segunda-feira (28). No pedido, a petroquímica apontou possíveis efeitos da limitação dos repasses sobre a recuperação da Braskem Idesa, como redução da geração de caixa, atrasos no pagamento de salários e fornecedores e deterioração de equipamentos industriais.
Os credores afirmam que os recursos destinados a medidas essenciais para o funcionamento da Bakide continuam permitidos. Eles também contestam a alegação da companhia de que houve violação ao contraditório e à ampla defesa. A empresa diz que a operação foi restringida sem manifestação prévia; o grupo argumenta que, em situações de urgência e risco de dano, a lei permite a dispensa do contraditório.
A manifestação não analisou outros pedidos apresentados pela Braskem no recurso. Entre eles estão a retomada da proteção da Braskem Netherlands e da Braskem America Finance contra credores e a revogação da nomeação de um administrador judicial. As contrarrazões sobre esses pontos serão apresentadas em 15 dias contados da intimação pela Justiça.
A Braskem também afirma que a divulgação de documentos da operação Bakide ameaça suas atividades. Os credores respondem que os documentos serão encaminhados a órgãos e partes sujeitos a sigilo. O grupo nega ainda ter autorizado a reestruturação da Bakide nos Estados Unidos. Segundo os credores, houve apenas consentimento para não considerar investimentos da matriz na subsidiária como motivo para encerrar a recuperação extrajudicial.
Recuperação extrajudicial
A Braskem apresentou o pedido de recuperação extrajudicial em 24 de agosto. A empresa reconheceu uma dívida de US$ 10,9 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 56,2 bilhões, e informou contar com o apoio de 39,6% dos credores sujeitos ao plano.
De acordo com a companhia, a reestruturação abrange somente dívidas financeiras e não altera os pagamentos a fornecedores e funcionários. O plano inclui o passivo financeiro quirografário, sem garantia real, formado principalmente por créditos intercompany e títulos de renda fixa ou cartas de crédito.


