SÃO PAULO — O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), principal associação das empresas de apostas no Brasil, enfrenta insatisfação entre seus integrantes. Parte dos representantes considera que a gestão de Carlos Lima tem adotado uma postura passiva diante da possibilidade de novas restrições ao setor.
Lima assumiu a presidência em junho. Integrantes do mercado avaliam que ele é mais conciliador do que Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), considerado mais ativo na defesa dos interesses da indústria. Um representante de uma empresa de apostas afirmou que a impressão é que o IBJR tem chegado atrasado na busca por informações.
O presidente Lula tem prometido medidas duras contra o segmento, que podem ser anunciadas ainda nesta semana. Entre as possibilidades está o veto aos cassinos online, conhecidos pelo apelido de “jogo do tigrinho”.
Possível mudança de entidade
Diante desse cenário, alguns representantes do IBJR chegaram a avaliar uma saída e se reuniram com Lemos Jorge para discutir uma possível transferência para a ANJL. A hipótese de criação de uma entidade concorrente é considerada menos provável por pessoas envolvidas nas conversas, já que várias empresas atuam em conjunto em outros mercados.
O IBJR declarou que “desconhece qualquer iniciativa de criação de uma nova entidade e não comenta opiniões isoladas”. A associação também afirmou que continua trabalhando para fortalecer a regulamentação do setor. Lima não se manifestou.
Fundado em 2023, o IBJR reúne Bet365, Betano, Betsson, Flutter, dona das marcas Betfair e BetNacional, e SportingBet. A ANJL representa Ana Gaming, proprietária das marcas 7K e Cassino, Stellar Gaming, responsável pela EstrelaBet, e Superbet. A Stellar Gaming é dissidente do IBJR.
A escolha de Lima ocorreu após pedidos por uma liderança independente. Antes de presidir o IBJR, ele foi diretor-executivo do Instituto Brasileiro da Cachaça e conselheiro do Instituto de Relações Governamentais. Integrantes da entidade questionam se seu perfil é adequado para representar o grupo neste momento.
Antes de Lima, o IBJR era comandado interinamente por André Gelfi, representante da Betsson no Brasil. Ele tem assessorado o atual presidente e tenta conter o risco de dissidência entre os integrantes. Fernando Vieira, antecessor de Gelfi, deixou a associação em setembro de 2025 para trabalhar na Keeta.


