SÃO PAULO — Agências da Caixa Econômica Federal amanheceram fechadas nesta quinta-feira (10) por causa da greve nacional dos empregados. Os caixas eletrônicos continuaram funcionando, mas o atendimento presencial e parte dos serviços administrativos foram afetados. A paralisação também ocorre de forma parcial no Banco do Brasil em alguns estados; em São Paulo, as unidades do BB funcionaram normalmente.
A greve não altera os prazos de vencimento de contas e boletos. O não pagamento pode gerar multa e juros. Além dos caixas eletrônicos, clientes podem usar redes de supermercados e casas lotéricas que oferecem pagamento de boletos e contas.
Como acessar os serviços
A Caixa informou que retomou as negociações com as entidades que representam os empregados e mantém o diálogo para chegar a um acordo. Durante a paralisação, o banco orienta o uso de canais digitais e remotos, como internet banking, WhatsApp (0800 104 0104) e os aplicativos Caixa Tem, Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS.
Também é possível buscar atendimento pelos telefones 4004-0104, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-1040104, para as demais regiões.
O Banco do Brasil recomenda aplicativo, internet banking, correspondentes bancários e atendimento telefônico pelos números 4004-0001, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-729-0001, para as demais localidades. O banco também oferece atendimento pelo WhatsApp (61-4004-0001).
Em agências visitadas em São Paulo e em Curitiba, havia cartazes e faixas sobre a paralisação. Funcionários operacionais deixaram de trabalhar, enquanto alguns empregados em cargos de gerência continuaram atendendo demandas administrativas. Terceirizados, como atendentes do hall de entrada e vigilantes, permaneceram nas unidades e orientaram clientes sobre os canais remotos e o uso dos caixas eletrônicos.
A paralisação pode atingir serviços administrativos, incluindo processos relacionados ao financiamento da casa própria. Em uma das agências, a gerência recebeu a documentação entregue por um trabalhador de aplicativo de transporte.
Impasse sobre o plano de saúde
O principal ponto de conflito é o custeio do plano de saúde dos empregados da Caixa e do Banco do Brasil. Na Caixa, os bancários pagam atualmente 3,5% do salário-base, além de R$ 480 por mês por dependente. Para dependentes entre 24 e 27 anos, a cobrança é de R$ 800.
A proposta da Caixa elevava a contribuição para 5,5% e o valor por dependente para R$ 870. Para dependentes maiores, o custo mensal passaria a R$ 1.050. Uma nova proposta, com percentual de 4,5%, também teria sido rejeitada.
Nas assembleias, 93 bases sindicais decidiram pela paralisação em 4 de setembro. Outras 35 bases rejeitaram a proposta, mas escolheram continuar negociando; nas demais, o texto foi aprovado. O Comando Nacional de Greve retomou as conversas com a Caixa e o BB na noite de quarta (9), e uma nova reunião ocorreu nesta quinta (10), sem resultado divulgado até a publicação.
A Caixa afirmou que mantém aberto o diálogo com as entidades representativas dos empregados e busca renovar o acordo coletivo de trabalho. O banco disse que pretende construir um entendimento sobre os interesses das partes, a valorização dos empregados, a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços.
No Banco do Brasil, 39 sindicatos aprovaram a proposta de aporte de R$ 360 milhões para manter o plano até novembro. A maioria, formada por 60 sindicatos, rejeitou a proposta e decidiu retomar as negociações. Outros 27 sindicatos optaram pela greve a partir desta quinta-feira, incluindo entidades de Belo Horizonte, Bahia, Ceará e Piauí.
Acordo dos bancos privados
Os bancos privados aceitaram a proposta negociada e assinaram o acordo da categoria na quarta (9). O reajuste dos salários será conhecido nesta sexta-feira (11) e corresponderá à inflação medida pelo INPC de setembro de 2025 a agosto de 2026, acrescida de 0,6% de aumento real.
A Participação nos Lucros e Resultados não tem valor fixo, pois depende do salário do trabalhador e do lucro do banco. A regra básica considera 90% do salário-base e das verbas salariais fixas, além de uma parcela fixa. Há ainda uma parcela adicional, correspondente à distribuição de 2,2% do lucro líquido entre os empregados elegíveis.
A PLR referente a 2026 será paga até o final de março de 2027, com antecipação ainda neste mês. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, essa parcela terá um componente calculado sobre o salário e outro ligado ao lucro do banco no primeiro semestre.



