SÃO PAULO — A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que Marcello de Oliveira Lopes, ex-coordenador de comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro, transferiu R$ 1 milhão para a Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
O repasse aparece em um relatório baseado em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento aponta movimentações consideradas atípicas nas contas da empresa entre novembro de 2025 e dezembro de 2025. No período, a produtora movimentou R$ 19 milhões: R$ 8,9 milhões em créditos e R$ 10 milhões em débitos.
Entre os principais remetentes de recursos estão a Moneycorp Banco de Câmbio S.A., com R$ 3.920.976,40; a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eireli, com R$ 2.614.000; Marcello Lopes, com R$ 1.000.000; a NTT Brasil Ltda., com R$ 750.000,00; e o deputado federal Mario Frias, com R$ 645.400.
A PF classificou as movimentações como “consideradas atípicas”. O relatório foi incluído na decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou a operação “Make Up”, deflagrada nesta quinta-feira (10).
Relação com a produção
A Go Up Entertainment é responsável pelo filme “Dark Horse”, que tem Mario Frias como produtor executivo. As gravações ocorreram em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025, segundo informações disponíveis publicamente.
A polícia destacou que as transações analisadas ocorreram durante parte do período de produção do filme. Lopes deixou a coordenação de comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro em maio. Ele é amigo pessoal do senador.
A saída ocorreu em meio a críticas à reação da campanha após a divulgação de mensagens e notícias sobre um encontro de Flávio com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Na ocasião, Lopes afirmou que deixou a equipe por decisão própria e que pretendia se concentrar em sua empresa.



