SÃO PAULO — A Polícia Federal identificou um repasse de R$ 8,5 milhões do Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda., empresa que, segundo a investigação, redistribuía recursos em uma rede usada para ocultar valores de supostos desvios de recursos públicos.
O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme "Dark Horse" e dona da produtora Go Up. Na manhã desta quinta-feira (10), ela foi alvo de mandados de busca e apreensão da PF. A entidade tem contrato com a Prefeitura de São Paulo.
Transferências para outras empresas
A Ultra IP recebeu oito transferências do ICB, que totalizaram R$ 8.554.301,14. A empresa tinha anteriormente o nome William Silva Ferreira Representações e aparece na investigação como uma intermediária que fazia repasses posteriores a outras organizações.
Entre os destinatários está a ABC Logísticas e Serviços Ltda., que recebeu R$ 1.075.586. A empresa tinha capital social declarado de R$ 500 mil e era registrada em nome de Nayara Bianca Silva de Souza. Conforme a PF, ela trabalhava como cuidadora de idosos, recebia salário médio de R$ 1.815 e era beneficiária do Novo Bolsa Família.
A Ultra IP também transferiu R$ 627,4 mil para uma firma cujo único sócio tinha como última ocupação formal a de servente de obras. O texto da investigação identifica esse sócio como Anderson Souza Mendes e informa que sua remuneração média ficava entre um e dois salários mínimos.
Outro repasse, de R$ 1.336.201,50, foi destinado à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade também presidida por Karina Gama.
Movimentação financeira
Um Relatório de Inteligência Financeira analisado pela PF indica que a conta da Ultra IP foi aberta em 25 de julho de 2024. Entre 30 de julho e 9 de outubro daquele ano, a conta movimentou R$ 31,6 milhões, divididos igualmente entre R$ 15,8 milhões em créditos e R$ 15,8 milhões em débitos.
A investigação aponta que, entre 2024 e 2026, pessoas físicas e empresas teriam sido usadas para ocultar e dissimular a origem, a localização, a movimentação e a titularidade de valores. Para a PF, as circunstâncias indicam, em tese, que empresas foram empregadas na circulação e na ocultação dos recursos.


