NOVA DÉLI — A Autoridade de Segurança e Padrões Alimentares da Índia (FSSAI) abriu três processos contra a Nestlé após identificar problemas em produtos de alimentação infantil. Uma amostra de uma fórmula à base de leite para bebês foi considerada fora dos padrões de biotina, conhecida como vitamina B7, enquanto outros dois produtos são questionados por alegações consideradas enganosas.
A FSSAI informou que uma nova análise encontrou desacordo entre a quantidade de biotina da amostra e os requisitos previstos na legislação indiana. O órgão estabelece uma faixa de referência para a substância em alimentos destinados a crianças. Não foi informado se haverá determinação para recolher o produto.
Os outros processos envolvem os produtos NAN Excella Pro Stage 1 e Lactogen Pro 1. Segundo o regulador, as alegações presentes nos itens violariam as normas indianas. A Nestlé Índia afirmou ter reenviado às autoridades sua resposta sobre as informações dos rótulos e disse que elas são factuais e respaldadas por literatura científica. A empresa também declarou que os rótulos foram aprovados pelo comitê de especialistas da FSSAI.
Resposta da empresa
A Nestlé afirmou que seus produtos estão “em total conformidade com todas as regulamentações aplicáveis” e que continuará cooperando com o órgão regulador. A companhia não comentou especificamente o resultado da amostra considerada irregular.
As ações da Nestlé na Índia recuaram quase 3% após o anúncio das medidas. O país é apontado como um mercado relevante para a expansão da companhia. No ano encerrado em março de 2026, produtos de leite e nutrição foram a maior categoria de receita da Nestlé Índia. O segmento representou um terço das vendas da empresa no país, que totalizaram US$ 2,4 bilhões (R$ 12,4 bilhões).
A fiscalização ocorre durante uma ofensiva indiana contra a indústria de alimentos, avaliada em US$ 100 bilhões (R$ 515,94 bilhões), com visitas surpresa a fábricas e testes de produtos.
A Nestlé já havia enfrentado o regulador em 2015. Naquele ano, as autoridades proibiram o macarrão instantâneo Maggi por supostos níveis elevados de chumbo e problemas de rotulagem. O produto foi recolhido e voltou às prateleiras após novos testes.



