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Itaú atribui perda do dólar a aversão a ativos dos EUA e dúvidas sobre o Fed

Relatório estima que o movimento de venda de ativos americanos e a percepção sobre o Fed explicam cerca de 8 p.p. da queda da moeda em 2025.

Itaú atribui perda do dólar a aversão a ativos dos EUA e dúvidas sobre o Fed
Foto: Reuters

O dólar perdeu força nos mercados internacionais desde o início de 2025, em um movimento associado principalmente a fatores econômicos e políticos dos Estados Unidos, segundo relatório do Itaú. A moeda americana acumula queda de cerca de 9% diante das divisas dos principais parceiros comerciais do país.

O estudo estima que 4,7 pontos percentuais desse recuo estejam relacionados ao chamado “Sell America”, movimento de redução da exposição a ativos dos Estados Unidos. Outros 3 p.p. são atribuídos à percepção sobre a independência do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, e 1,7 p.p. à política monetária do país.

Somados, o “Sell America” e o fator relacionado ao Fed respondem por cerca de 8 p.p. da queda do dólar. O relatório associa esses componentes à erraticidade da política doméstica americana.

Gabriella Garcia, economista do Itaú Unibanco e autora do estudo, afirma que o conceito não representa apenas uma aposta contra a moeda. “É um trade relacionado a todos os ativos dos EUA em queda”, disse. Segundo ela, o movimento envolve principalmente a queda da Bolsa e a alta dos juros longos, em um cenário de maior aversão ao risco aos ativos americanos.

Indicadores e independência do Fed

O Itaú utilizou um índice multilateral, que considera os pesos dos parceiros comerciais dos Estados Unidos e inclui moedas de economias emergentes, como o real brasileiro e o yuan chinês. O indicador é mais amplo que o DXY, calculado com uma cesta de moedas de países desenvolvidos.

Até 28 de setembro, o DXY acumulava queda de 7,55%, enquanto o dólar multilateral recuava cerca de 9%. De acordo com Pedro Schneider, economista do Itaú, os dois índices podem apontar em direções diferentes em períodos curtos porque têm composições distintas.

A percepção sobre a autonomia do Fed também influenciou o câmbio. Em janeiro deste ano, procuradores federais dos Estados Unidos abriram uma investigação criminal contra Jerome Powell, então presidente do banco central, relacionada à reforma da sede da instituição em Washington. Em vídeo, Powell associou o inquérito à pressão do governo Trump sobre a política de juros.

O relatório afirma que o episódio pressionou ativos americanos, mas perdeu força depois que o Fed manteve sua atuação independente e elevou os juros. As dúvidas chegaram a acrescentar cerca de 30 pontos-base à curva de juros no auge das ameaças de Trump.

Juros, Bolsa e ouro

A diferença entre as taxas dos Treasuries de dez e dois anos subiu cerca de 10 pontos-base desde janeiro de 2025, após ter chegado a abrir aproximadamente 50 em determinado momento. O Itaú calcula que o “Sell America” tenha contribuído com cerca de 20 pontos-base para esse movimento, mesmo impacto estimado para a inteligência artificial.

O choque de commodities teve efeito contrário, de cerca de 14 pontos-base. As tarifas americanas contribuíram para a queda das Bolsas e de commodities cíclicas, como cobre e petróleo Brent, mas tiveram impacto próximo de zero sobre o dólar.

O ouro subiu cerca de 50% no período, impulsionado pelo “Sell America” e pelas dúvidas sobre a independência do Fed. Para o Itaú, o metal refletiu a busca por proteção diante da maior percepção de risco institucional nos Estados Unidos.

O “Sell America” continua sendo o principal fator de pressão sobre o dólar, com contribuição de 4,7 pontos percentuais. Já os efeitos ligados à independência do Fed e à política monetária recuaram em relação ao primeiro semestre. O relatório afirma que os cerca de 8 p.p. associados à política doméstica poderiam ser revertidos com instituições mais fortes, política econômica mais previsível e sinais mais claros de responsabilidade fiscal.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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