O petróleo Brent, referência mundial, voltou a superar US$ 100 nesta quarta-feira (23), depois de iniciar o dia em queda. O movimento ocorreu após declarações de Trump sobre um encontro com representantes do Irã durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
O barril recuou 1,33% e chegou a US$ 97,93 (R$ 499,64) por volta das 1h45 (horário de Brasília). A partir das 4h, porém, os preços mudaram de direção. Às 8h40, o Brent alcançou US$ 100,49 (R$ 512,70), com alta de 1,25%.
A queda inicial refletiu o tom adotado por Trump após a reunião, que durou três horas. Ele classificou a conversa como "muito boa e produtiva" e afirmou que novos encontros estavam previstos. Na terça-feira (22), durante um discurso, havia ameaçado "aniquilar o Irã rapidamente".
O regime iraniano informou que se reuniu com o mediador do Qatar, mas negou um encontro com representantes dos EUA. Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirmou que o país apresentou condições para o fim do conflito e pediu o encerramento dos "atos de agressão" dos norte-americanos.
Para Stephen Innes, da Quintex Intel, o encontro alterou a forma como o mercado avalia os riscos. A reunião fez os investidores considerarem um processo diplomático, embora um acordo definitivo ainda pareça distante, segundo ele.
Produção e China no radar
Os negociadores também acompanham a retomada da operação no oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita. O reinício pode permitir que o país retome as exportações de petróleo ainda nesta semana. A produção havia sido interrompida após ataques de drones lançados pelos houthis há duas semanas.
Outro ponto de atenção é a reunião entre Trump e Xi Jinping, que começa nesta quinta-feira (24) e deve durar três dias. Analistas esperam a preservação da trégua entre Estados Unidos e China, mas avaliam que as chances de avanços significativos são baixas.
Kenny Ng, estrategista da Everbright Securities International, afirmou que o resultado do encontro influenciará as relações econômicas e comerciais entre os dois países, a concorrência no setor de tecnologia e o cenário geopolítico.
Analistas do Goldman Sachs disseram, em nota publicada na terça-feira, que é improvável um aumento substancial das importações chinesas de petróleo nos três últimos meses do ano. A redução das compras da China diminuiu a pressão sobre os mercados globais, enquanto o país utiliza suas reservas estratégicas.
Para os analistas, o principal risco de alta para os preços continua sendo uma possível intensificação dos ataques à infraestrutura de produção e exportação de petróleo bruto do Oriente Médio, e não o aumento das importações chinesas.



