O petróleo Brent recuou 2,89% nesta terça-feira (22), para US$ 97,44 (R$ 500,19), por volta das 7h30 (horário de Brasília). A cotação voltou a ficar abaixo de US$ 100 e atingiu o menor nível desde 8 de setembro, quando o barril foi negociado a US$ 96,78.
A queda ocorreu após a Arábia Saudita indicar que pode reabrir o oleoduto Leste-Oeste e uma autoridade do governo do Irã afirmar que o estreito de Hormuz poderá ter a navegação liberada em até sete dias. O Irã teria condicionado a medida à adoção, pelos Estados Unidos, de ações iniciais para reduzir a pressão militar.
Na segunda-feira (21), o petróleo chegou a US$ 98,98, mas encerrou o pregão acima de US$ 100. Nesta terça, o Brent alcançou US$ 102,29 nas primeiras horas e começou a cair a partir das 6h, após a divulgação da entrevista com a autoridade iraniana.
Por volta das 10h45, o Brent era negociado a US$ 98,75 (R$ 506,91), queda de 1,58%. O WTI, referência usada nos Estados Unidos, estava em US$ 90,42 (R$ 464,15), recuo de 2,11%.
Oleoduto saudita
O estreito de Hormuz está fechado para o tráfego marítimo desde 28 de fevereiro. A interrupção afeta o escoamento de 20% da produção mundial de petróleo e gás. O bloqueio foi feito pelo Irã em retaliação a ataques dos Estados Unidos e de Israel.
O oleoduto Leste-Oeste é uma alternativa a Hormuz e utiliza o Mar Vermelho para transportar petróleo aos compradores. Sua capacidade oficial é de cerca de 7 milhões de barris por dia, mas não estava definido quanto poderia ser escoado quando a operação fosse retomada.
June Goh, analista da Sparta Commodities, estimou que a restauração de um quarto do fluxo não acrescentaria petróleo às exportações, porque o volume seria destinado às refinarias sauditas na costa oeste. Com 40% da capacidade restabelecida, o mercado poderia receber 1 milhão de barris de petróleo bruto por dia.
A Kpler informou que a interrupção mudou a rota das exportações sauditas em duas semanas. Os embarques no porto de Juaymah, no Golfo, aumentaram cinco vezes em relação ao ritmo de agosto, e todos os berços estavam ocupados em 20 de setembro. A Saudi Aramco, petrolífera estatal, não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
Os houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, acusaram o governo saudita de atacar instalações em Mocha. Os países do G7 pediram que o grupo interrompa os ataques contra a Arábia Saudita. Segundo a Organização Internacional para as Migrações, quase 130 mil pessoas foram deslocadas em sete províncias do Iêmen por causa da violência.



