O petróleo Brent alcançou US$ 99,45 nesta terça-feira (8), maior cotação em mais de três meses, após ataques atribuídos aos houthis contra quatro cidades no sul da Arábia Saudita. A alta refletiu o aumento da tensão no Oriente Médio e as preocupações sobre a segurança do fornecimento de energia.
A máxima, registrada por volta das 5h30 (horário de Brasília), representou valorização de 2,53% e igualou o nível observado em 27 de maio. O barril não ultrapassa US$ 100 desde 26 de maio, quando foi negociado a US$ 100,73.
Depois de recuar para a faixa de US$ 98, o Brent voltou a subir e encerrou o dia em US$ 99,33, avanço de 2,40%. O WTI (West Texas Intermediate), referência usada nos Estados Unidos, fechou cotado a US$ 94,31, com alta de 1,93%.
Os houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, atacaram cidades e instalações de energia sauditas. Pelo menos 73 pessoas ficaram feridas, informou um porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen.
O Ministério da Energia saudita comunicou que as ofensivas provocaram a interrupção temporária de parte das operações. Equipes especializadas foram mobilizadas para combater incêndios em diferentes locais e analisar os danos.
Navegação e abastecimento
Os ataques ocorreram depois de o Irã advertir que estruturas de energia em todo o golfo Pérsico, incluindo ativos americanos de petróleo e gás, estavam vulneráveis. O governo iraniano disse que o alerta veio após uma sequência de ataques em retaliação a ações contra navios na região no último fim de semana.
A navegação pelo Mar Vermelho também passou a preocupar os mercados, após os houthis anunciarem um bloqueio naval contra Riad em julho e direcionarem ofensivas a embarcações sauditas. O Irã continua limitando o tráfego pelo estreito de Hormuz, rota por onde transitava 20% da produção mundial de petróleo e gás. O movimento de navios de commodities voltou a cair nesta semana.
O conflito no Irã se estende há seis meses e alterna períodos de pausa e novos confrontos. Os EUA e Israel iniciaram ataques em 28 de fevereiro com o objetivo de encerrar o programa nuclear de Teerã, impedir ataques contra países vizinhos e limitar o apoio iraniano a grupos aliados na região.
O governo iraniano também prometeu divulgar nos próximos dias uma nova zona restrita no golfo Pérsico e mapas de um corredor de navegação pelo estreito de Hormuz. Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou à televisão estatal que navios que entrassem na área poderiam ser incluídos em uma lista de sanções iranianas.



