SÃO PAULO — Um negócio de terrários criado por um casal transformou referências aos orixás em identidade artística e alcançou faturamento mensal de até R$ 100 mil em períodos de pico. A operação produz cerca de 300 peças por mês, reúne sete pessoas e vende principalmente pela internet.
Terrários são pequenos ecossistemas montados em recipientes de vidro, com paisagens em miniatura. Edu, arquiteto e designer de interiores, encontrou nesse trabalho uma forma de combinar criatividade, paisagismo e produção manual. Desde o início, porém, estabeleceu que não queria repetir modelos já existentes: cada peça deveria ter uma assinatura própria.
“O nosso planeta dentro do vidro”, define Edu ao descrever os produtos do estúdio.
Dos vizinhos aos orixás
Os primeiros clientes apareceram entre vizinhos. Depois, a dupla levou cerca de 25 terrários para testar a aceitação na Avenida Paulista. Aproximadamente dez unidades foram vendidas no primeiro dia, recuperando imediatamente o investimento inicial de R$ 450.
A mudança mais importante veio quando os clientes começaram a pedir representações de orixás. O estúdio decidiu explorar o tema como parte do trabalho artístico, e não apenas como uma linha de produtos.
“Hoje somos especializados nos terrários dos orixás. Nossa grande virada como negócio aconteceu exatamente por causa deles”, afirma Will.
Além dos terrários, a empresa vende miniaturas avulsas, oferece cursos e produz peças personalizadas com base em fotos enviadas pelos clientes. O tíquete médio é de R$ 175.
Redes sociais e expansão
A produção de conteúdo passou a integrar a estratégia comercial. De acordo com os empreendedores, 98% das vendas são feitas online. As publicações mostram os bastidores, apresentam as histórias por trás das peças e acompanham tendências relacionadas ao público.
Uma das ações surgiu após o lançamento de um álbum de Anitta. Edu criou miniaturas inspiradas no universo visual da cantora e as colocou nos terrários. Os vídeos tiveram grande circulação nas redes sociais e chegaram à artista, que interagiu com o conteúdo.
A entrega para outros estados só foi viabilizada depois de testes de embalagem. Durante três anos, as vendas ficaram restritas a São Paulo, devido à fragilidade dos produtos, que combinam vidro e plantas. O sistema adotado passou a usar plástico-bolha e caixas reforçadas.
Atualmente, cerca de 60% dos terrários vendidos são enviados para fora do estado. Edu continua responsável pela criação artística, enquanto Will concentra as atividades de gestão, marketing e estratégia digital.



