LAURO DE FREITAS — Everton Nunes denunciou intolerância religiosa depois que o proprietário de um imóvel em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, desistiu de alugar a casa ao identificar que ele é candomblecista. O caso foi registrado na Delegacia de Itinga, no mesmo município, e também resultou em uma ação civil por indenização.
Nunes visitou o imóvel acompanhado da irmã e pagou R$ 200 como sinal para que o proprietário reservasse a casa. Durante a visita presencial, não foi questionado sobre sua religião. A conversa sobre o tema ocorreu depois, por meio de um aplicativo de mensagens.
Na foto de perfil, o jovem aparece usando elementos associados a religiões de matriz africana, como contas e búzios. O proprietário teria visto a imagem e informado que a religião poderia causar problemas porque os demais moradores seriam evangélicos.
“Ele viu minha foto de perfil com adereços religiosos e mandou mensagem dizendo que haveria um problema por causa da minha religião”, contou Nunes.
Em uma mensagem, o proprietário afirmou que mais da metade dos moradores era evangélica e que preferia devolver o valor pago para evitar prejuízos e conflitos. Nunes respondeu que a religião é uma questão pessoal e não deveria ser considerada na locação do imóvel.
O proprietário pediu desculpas e disse que tomou a decisão por causa de problemas anteriores com uma antiga locatária que seguia uma religião de matriz africana.
Além do registro na delegacia, Nunes moveu um processo na área civil. O advogado dele, Gustavo Azevedo, afirmou que as mensagens trocadas pelo aplicativo comprovam a materialidade do crime de intolerância religiosa.



