SÃO PAULO — O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, rebateu declarações de Flávio Bolsonaro sobre o Banco Master e afirmou que o caso está ligado à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações foram dadas nesta terça-feira (8), em entrevista à rádio Novabrasil FM, na capital paulista.
Haddad disse que o banco financiou as campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, e não as dele ou a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato também atribuiu ao governo Lula a liquidação do Banco Master e à Polícia Federal a prisão de Daniel Vorcaro.
“Quem liquidou o Banco Master foi o governo Lula”, afirmou Haddad.
Na avaliação do petista, uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro mudaria a situação de Vorcaro. Ele declarou que o senador poderia deixar a prisão e afirmou que o Banco Master não teria sido liquidado caso Jair Bolsonaro tivesse sido reeleito.
Haddad também acusou o grupo de ter acesso a R$ 40 bilhões mantidos fora do Brasil. Segundo ele, o valor seria dinheiro público administrado por fundos ligados a pessoas usadas como laranjas de Vorcaro. A declaração foi apresentada pelo candidato como parte das suspeitas relacionadas ao banco.
Relação com o Supremo
Haddad também respondeu à fala de Flávio Bolsonaro em um ato realizado na Avenida Paulista na segunda-feira (7). Na ocasião, o senador do PL disse que quem vota em Lula vota no ministro Alexandre de Moraes.
O candidato afirmou que Lula mantém relações institucionais com todos os ministros do Supremo Tribunal Federal e citou André Mendonça, Toffolli, Gilmar Mendes, Fux, Carmen Lúcia e Fachin. Haddad disse que essa relação não representa proteção a autoridades e defendeu a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público.
Segundo Haddad, Lula não interfere para proteger familiares, ministros ou senadores. Ele também acusou Jair Bolsonaro de ter trocado integrantes do Ministério da Justiça, da Polícia Federal e delegados para proteger Flávio Bolsonaro.
Banco Central
Na entrevista, Haddad relacionou o crescimento do Banco Master ao período em que Roberto Campos Neto presidiu o Banco Central. De acordo com o candidato, a expansão ocorreu de 2019 a 2024, durante a gestão de Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro.
Haddad ainda afirmou que Campos Neto se envolveu em atividades políticas durante a eleição e mencionou a participação em um grupo de WhatsApp. O candidato disse também que três ministros do governo Bolsonaro tinham relação com o Banco Master: o ministro da Comunicação, o responsável pelas Relações Institucionais e o chefe da Casa Civil. Segundo ele, a mulher do sócio de Vorcaro ocupava o cargo de Relações Institucionais.


