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Energia cara expõe perda de planejamento e pressiona próximo governo

Especialistas apontam cortes de geração, aumento de custos e decisões fragmentadas como desafios para o setor de energia.

Energia cara expõe perda de planejamento e pressiona próximo governo
Foto: Karime Xavier/Folhapress

O próximo presidente terá de enfrentar um descompasso no setor de energia: o Brasil ampliou a oferta de fontes renováveis, mas convive com cortes de geração e aumento nas contas de luz. A falta de infraestrutura também limita o uso do gás natural e dificulta a expansão dos biocombustíveis.

Técnicos ouvidos sobre o setor atribuem parte do problema à perda de capacidade de planejamento. As decisões sobre eletricidade, óleo, gás e biocombustíveis passaram a ser tomadas de forma fragmentada, com foco em cada fonte ou segmento. Segundo a avaliação apresentada, esse processo não considera suficientemente o custo para o consumidor, o desenvolvimento econômico e a competitividade do país.

Cortes de geração e aumento de custos

Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+ Transição Energética, afirma que o desarranjo atinge vários segmentos, mas é mais intenso no setor elétrico. Um dos principais problemas é o curtailment, nome dado aos cortes compulsórios na geração quando a produção supera a capacidade de consumo ou de transmissão do sistema.

A situação se agravou com a expansão da geração solar distribuída, instalada em telhados e fazendas solares. Durante o dia, a oferta aumenta rapidamente; ao pôr do sol, cai em pouco tempo, obrigando o sistema a recorrer a outras fontes para equilibrar a oferta e a demanda.

O excesso de geração pode contribuir para apagões e aumenta a complexidade da gestão do ONS (Operador Nacional do Sistema). A oscilação da oferta também afeta os preços no mercado livre, no qual empresas compram e vendem energia sem depender da distribuidora local.

Os cortes reduzem a receita de hidrelétricas, usinas eólicas e solares, que não recebem quando deixam de produzir. O texto informa que os prejuízos já provocaram recuperações judiciais e interromperam investimentos em energia limpa.

Para reforçar a segurança do sistema, o governo federal realizou o Leilão de Reserva de Capacidade e contratou térmicas para os períodos de maior demanda. Rosana Santos avalia que o processo não deu atenção suficiente aos preços. Estimativas citadas por ela apontam impacto de US$ 5 a US$ 10 por MWh (megawatt-hora) para o setor produtivo.

“Quando se faz um leilão desse jeito, sem se preocupar com o impacto sobre a economia, com certeza você está fugindo do planejamento e atuando mais setorialmente do que qualquer outra coisa”, disse Rosana.

Efeito sobre a indústria

O custo da energia tem peso relevante em diferentes produtos. De acordo com Lucien Belmonte, presidente da Abvidro (Associação Brasileira das Indústrias de Vidro), a energia representa 29,8% do preço final do pão francês e 18,7% do café moído. Nos produtos mais intensivos em energia, a participação chega a 43,9% nos revestimentos de pisos e paredes e a 31,6% no cimento.

Belmonte também atua como porta-voz da União Pela Energia e coordenador do Fórum do Gás. Para ele, os aumentos tornam inviáveis algumas cadeias produtivas no Brasil. Dados elaborados pela Ex Ante Consultoria Econômica para a Abrace (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres) mostram que, de 2000 a junho de 2026, a energia elétrica para o setor produtivo brasileiro acumulou alta de 327,7% em dólar.

No mesmo período, a alta foi de 145,3% nos Estados Unidos e de 12,5% na União Europeia. O gás natural ficou 154,5% mais caro no Brasil, enquanto caiu 64% no mercado americano. O óleo diesel subiu 266,2% no Brasil, ante 222,1% nos Estados Unidos e 198,1% na União Europeia.

Belmonte defende que a redução do preço da energia seja incorporada à política econômica, por causa de seu peso sobre a inflação. Entre as medidas citadas está a revisão dos subsídios, que já ultrapassaram R$ 50 bilhões ao ano.

Reforma e propostas dos candidatos

Luiz Eduardo Barata, presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, afirma que medidas isoladas não são suficientes. Ele defende uma reforma do setor elétrico que reveja a expansão do sistema e sua governança, além de colocar o consumidor no centro das decisões.

Barata também considera necessário incorporar os efeitos das mudanças climáticas ao planejamento, já que eventos extremos afetam reservatórios, rios, linhas de transmissão e redes de distribuição. Na avaliação dele, o risco principal não é uma crise de abastecimento semelhante à de 2001, mas uma crise de sustentabilidade, com empresas em dificuldades financeiras e uma operação mais complexa.

Os programas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) prometem energia mais barata, expansão da transmissão, armazenamento e uso de fontes renováveis para atrair investimentos.

O programa de Lula relaciona a transição energética à política industrial e dá papel relevante à Petrobras. Prevê ampliar renováveis e biocombustíveis, desenvolver hidrogênio de baixa emissão, reduzir progressivamente o uso de combustíveis fósseis e fortalecer cadeias de refino, petroquímica, gás, fertilizantes e indústria naval. Também propõe ampliar a exploração de óleo e gás em terra e no mar, com exigências socioambientais maiores.

A proposta de Flávio Bolsonaro prioriza o aproveitamento das reservas brasileiras e a ampliação da produção. Entre as medidas está a possibilidade de exploração de gás não convencional por fraturamento hidráulico, sob regras ambientais. O programa também prevê modernizar refinarias, ampliar o transporte e o escoamento de gás natural e estimular investimentos privados com segurança jurídica e previsibilidade regulatória.

Além disso, associa a expansão das energias renováveis à atração de data centers, à exploração de minerais críticos e à industrialização. A proposta prevê reduzir gradualmente a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e os incentivos às fontes de energia, ao mesmo tempo que enfatiza o investimento privado e a segurança regulatória.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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