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Organizações cristãs lançam carta contra bets e defendem regulação

Documento reúne grupos religiosos de diferentes correntes e propõe medidas como impedir apostas com benefícios sociais e bloquear sites clandestinos.

Organizações cristãs lançam carta contra bets e defendem regulação
Foto: Allison Sales -13.ago.26/Folhapress

Organizações cristãs brasileiras lançaram nesta terça (22) a Carta Compromisso: Cristãos Contra Bets, documento que reúne grupos de diferentes correntes religiosas em oposição às apostas esportivas online e aos cassinos digitais, como o jogo do tigrinho.

A carta é assinada por Justiça Pública, Aliança Evangélica, Associação Brasileira Cristãos na Ciência e Médicos de Cristo. O texto afirma que a expansão dessas plataformas produz custos financeiros e humanos, incluindo perdas associadas a suicídios, depressão, tratamentos, seguro-desemprego, encarceramento e situações de rua. A estimativa apresentada é de R$ 38,8 bilhões.

Endividamento e impacto nas famílias

Setores conservadores destacam o endividamento doméstico e os riscos para a família. Grupos progressistas também apontam o efeito das plataformas sobre populações vulneráveis. O documento tenta reunir essas posições em torno da proteção da família e do próximo.

Armando, 29, relata que começou a apostar depois de ouvir de um colega que ele havia ganhado R$ 800 em uma bet. Fiel de uma igreja na zona norte carioca, retirou R$ 200 da conta conjunta com a mulher, perdeu o dinheiro e passou a apostar para tentar recuperar o prejuízo. A prática só terminou quando a esposa descobriu um saldo negativo de milhares de reais e ameaçou se divorciar.

“Essas coisas destroem a família”, afirma Armando. O pastor Pedro Barreto, da Comunidade Batista do Rio, também relata o caso de um homem que, após superar o alcoolismo, passou a apostar e colocou o patrimônio em risco. A família retirou o celular dele para tentar interromper o vício.

Propostas e apoio político

A carta pede que candidatos à Presidência assumam um compromisso formal com medidas de regulação. Entre as propostas está impedir o funcionamento de sites clandestinos e evitar que recursos do Bolsa Família e de outros benefícios sociais sejam usados em apostas. O Ministério da Fazenda, desde o fim do ano passado, já impede beneficiários do Bolsa Família e do BPC (Benefício de Prestação Continuada) de fazer esse tipo de aposta, em cumprimento a uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Danilo Erly, presidente do Justiça Pública, diz que a iniciativa é apartidária e que os responsáveis pelo documento procuraram as seis campanhas mais bem colocadas nas pesquisas, começando por Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Para ele, o assunto deveria ocupar posição central na campanha presidencial.

Pesquisa do PoderData realizada em setembro de 2025, com 2.500 entrevistados em 178 municípios, apontou que 41% dos evangélicos disseram já ter apostado em uma bet. Entre os católicos, o índice foi de 34%.

A oposição às apostas também aparece em igrejas de diferentes posições políticas. Estevam Hernandes, da Renascer em Cristo, afirma que a igreja orienta fiéis e adolescentes a não jogar. A Igreja Universal do Reino de Deus publicou críticas à prática, enquanto André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, fez um alerta sobre os efeitos nas famílias.

O deputado pelo PSOL-RJ Henrique Vieira critica a presença da publicidade das bets no futebol, nas redes e no cotidiano. Em Novo Hamburgo (RS), o pastor Lucas Graffunder acompanha reuniões dos Jogadores Anônimos. O grupo começou a se reunir em sua congregação em agosto de 2025, com 15 pessoas; um ano depois, chegava a até 70 participantes por semana.

Graffunder afirma que a vergonha pode atrasar a busca por ajuda e que o vício não deve ser tratado apenas como falta de fé. Em um relato reunido no ebook “Não Aposte sua Vida”, um jogador descreve dívidas de R$ 60 mil e informa ter pago R$ 7 mil após cinco meses de recuperação.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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