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Presidente do conselho da Multilaser defende fim da escala 6x1

Alexandre Ostrowiecki diz que mudança teria custo econômico, mas não provocaria demissões em massa nem grandes repasses ao consumidor.

Presidente do conselho da Multilaser defende fim da escala 6x1
Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho de administração da Multilaser, defende o fim da escala 6x1 e afirma que os trabalhadores deveriam ter dois dias de descanso por semana. Para ele, a mudança teria algum custo econômico, mas não levaria a uma onda de demissões nem a grandes aumentos nos preços dos produtos.

“É inaceitável que, no mundo da inteligência artificial e, em breve, da robótica, uma parte relevante da força de trabalho fique sem dois dias de descanso”, disse Ostrowiecki.

O empresário afirma que reduções de jornada já provocaram alertas semelhantes ao longo da história, mas que a economia se adaptou. Na avaliação dele, o custo da mudança seria pequeno diante de fatores que encarecem a produção brasileira, como o custo Brasil, a burocracia, os impostos sobre o consumo e os juros.

Contas públicas e juros

Ostrowiecki também defende mudanças nas contas públicas. Ao falar sobre o que espera do governo a partir de 2027, afirmou que o próximo presidente precisará enfrentar o crescimento automático e obrigatório dos gastos do Estado.

Ele cita a necessidade de uma reforma administrativa, da desvinculação de despesas e da revisão de privilégios, incluindo supersalários e penduricalhos. Sem uma reforma estrutural, diz, nenhum arcabouço fiscal se sustenta e os juros continuam prejudicando a economia.

O empresário ajudou a fundar, há cerca de 15 anos, o Ranking dos Políticos, site que lista perfis de congressistas. Embora seja conhecido por demonstrar preocupação com o equilíbrio das contas públicas, afirma que fala apenas em seu próprio nome e não quer ser visto como porta-voz do empresariado.

Sobre o aumento das recuperações judiciais e extrajudiciais, Ostrowiecki avalia que o risco de crédito está maior do que os modelos previam. Para ele, o período prolongado de juros elevados não estava contemplado nas projeções usadas pelas empresas.

A Multi está entre os grandes fornecedores da Casas Bahia, que pediu recuperação judicial no mês passado. O impacto para a empresa, segundo o executivo, é moderado: foram provisionados cerca de R$ 31 milhões, pouco mais de 2% da carteira de recebíveis. A maior parte das vendas, afirma, conta com seguro de crédito.

Consumidor e importações

Ostrowiecki diz ver o consumidor no limite. Dados da CNC apontam que 82% das famílias brasileiras têm dívidas a vencer, enquanto a Serasa registrou quase 84 milhões de negativados em agosto, o maior nível da série histórica.

A resposta da empresa tem sido manter disciplina na concessão de crédito, controlar os recebíveis, diversificar os canais de venda e oferecer produtos acessíveis. O empresário, porém, afirma que essas medidas não compensam juros muito altos por período prolongado.

Ele também critica a lei que eliminou o imposto de importação para encomendas de até US$ 50, conhecida como taxa das blusinhas e sancionada por Lula neste mês. Na avaliação dele, a regra cria uma diferença entre a indústria brasileira e os produtos enviados da China.

Como exemplo, cita uma fábrica no Ceará que paga cerca de 30% do preço em impostos federais ao longo da cadeia e uma empresa em Shenzhen, na China, que entra no Brasil sem imposto federal. Também compara os juros da indústria brasileira, de 15%, aos de cerca de 3% na China.

Para Ostrowiecki, a política pode deslocar parte da produção e do comércio varejista para vendas diretas a partir da Ásia, com efeitos sobre os empregos no Brasil. A lei prevê que o governo avalie, a cada seis meses, os impactos sobre emprego, indústria e arrecadação.

Com uma fábrica em Manaus, o empresário usa a Zona Franca como exemplo de que a indústria brasileira pode competir quando a carga tributária é razoável. Ele defende a redução geral dos impostos sobre o consumo, sem restringir a medida à região.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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