NOVA IORK — A Starbucks reduziu ou retirou metas ambientais e demitiu dezenas de funcionários ligados à sustentabilidade enquanto executa um plano para cortar US$ 2 bilhões em custos. Entre os compromissos revisados estão os de reduzir o uso de água, a geração de resíduos e as emissões de carbono.
A empresa anunciou suas metas em 2020. No relatório mais recente, informou ter adotado um conjunto de objetivos de sustentabilidade mais focado, sem detalhar todas as alterações em relação aos compromissos anteriores. A antiga meta de reduzir pela metade a água usada nas operações e na produção de café não aparece no documento.
O relatório anterior registrava uma captação anual de aproximadamente 500 bilhões de litros. O documento mais recente informou 53 bilhões de litros em captações operacionais, uma medida mais restrita. Também não foram apresentados a meta para resíduos enviados a aterros sanitários nem dados atualizados sobre esse indicador. O relatório anterior apontava 681mil toneladas de resíduos em aterros em 2024, 6% acima do registrado em 2019.
Embalagens e emissões
A Starbucks também mudou seus objetivos para embalagens. A meta de reduzir pela metade, até 2030, o uso de fontes virgens derivadas de combustíveis fósseis foi substituída pela redução de plásticos virgens em todas as embalagens em 5%. O objetivo de usar materiais reciclados em metade das embalagens para clientes passou para um quarto, condicionado à disponibilidade de conteúdo reciclado.
A empresa manteve a promessa de cortar pela metade, até 2030, as emissões de gases de efeito estufa em relação à base de 2019. O compromisso inclui as emissões indiretas de escopo três, associadas a atividades como agricultura e manufatura. A Starbucks afirmou, porém, que está reavaliando a meta por causa de novas regulamentações, mudanças em normas e outros obstáculos. A companhia espera anunciar uma nova meta alinhada com a ciência e a estratégia para cumpri-la no início de 2027.
As emissões totais da empresa em 2025 foram 7% superiores às de 2019. A Starbucks afirmou que pretende manter a meta de tornar todas as embalagens destinadas aos consumidores reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até 2030. A rede também superou o objetivo de ter mais de 10.000 lojas certificadas segundo padrões ecológicos até 2025.
Cortes na equipe
Brian Niccol, CEO desde 2024, conduz o plano de redução de custos. Os mais de 2.000 cortes de empregos corporativos feitos nos últimos dois anos incluíram dezenas de profissionais da área de sustentabilidade, segundo uma pessoa próxima à empresa.
Marika McCauley Sine deixou o cargo de diretora de sustentabilidade e foi substituída por Kelly Goodejohn, que passou a ocupar a posição de diretora de sustentabilidade e impacto social. Em julho, Goodejohn escreveu que “O progresso nem sempre é linear” e que os desafios enfrentados pela empresa são complexos.
A Starbucks também foi questionada sobre copos de polipropileno usados em bebidas geladas. Um teste do grupo ambientalista Beyond Plastics não encontrou reciclagem desses copos, embora fossem classificados como recicláveis. A empresa contestou o resultado e disse que rastreadores eletrônicos fixados aos recipientes podem ter alterado a forma como foram manuseados.


