São Paulo, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Política

Campanha de Flávio tenta atribuir fim das bets à pressão sobre Lula

Aliados do candidato do PL avaliam que a proibição das apostas pode perder força eleitoral se Lula for responsabilizado pela regulamentação do setor.

Campanha de Flávio tenta atribuir fim das bets à pressão sobre Lula
Foto: Mauro Pimentel/AFP

Auxiliares e estrategistas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) avaliam que o candidato pode reduzir o impacto eleitoral da decisão de Lula de proibir as bets. A estratégia é apresentar a medida como uma resposta à pressão provocada pelo debate sobre o endividamento dos brasileiros, tema explorado pelo senador.

A equipe de Flávio afirma que os discursos do candidato fizeram a campanha adversária entrar na pauta das apostas online. Também considera que as pesquisas de intenção de voto ainda não captaram eventual benefício para Lula, já que a comunicação do tema começou no início da semana. Os aliados, porém, reconhecem que ainda é cedo para medir o efeito político da decisão.

Lula assinou nesta sexta-feira (25) uma medida provisória que coloca as apostas online na ilegalidade em todo o país. As bets foram autorizadas durante a gestão de Michel Temer (2016-2018) e regulamentadas no governo Lula no fim de 2023, depois de o mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022) terminar sem regras para o setor.

O mercado regulado passou a funcionar em 2025, depois de um período de transição. A autorização foi concedida a 85 empresas, mediante o pagamento de uma outorga de R$ 30 milhões. A arrecadação chegou a cerca de R$ 10 bilhões em 2025 e a aproximadamente R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre de 2026.

Estratégia eleitoral

A oposição às apostas é popular entre os eleitores. Pesquisa Datafolha divulgada em maio deste ano mostrou que 57% dos brasileiros consideram as bets um vício, enquanto 31% veem as apostas como perda de dinheiro. Para analistas políticos, a proibição pode atrair principalmente o voto feminino, já que as mulheres são maioria entre os eleitores indecisos.

A campanha de Flávio tenta associar Lula à criação do problema e destacar que o senador se opôs à regulamentação aprovada pelo Congresso Nacional. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o candidato afirmou: "Lula cria o problema, vem com a solução fajuta".

Aliados também dizem que a medida pode atingir setores como emissoras de televisão e times de futebol. O governo havia apresentado a regulamentação como forma de combater a lavagem de dinheiro, elevar a arrecadação e gerar empregos. Também sustentava que a regra era exigida pela lei sancionada por Temer, que previa a regulamentação em até quatro anos.

Em um evento no Rio de Janeiro, Flávio chamou a decisão de Lula de "populista, hipócrita e eleitoreira". A avaliação da campanha é que o presidente pode perder parte do ganho eleitoral se os eleitores entenderem que seu governo foi responsável pela regulamentação das apostas.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.