Auxiliares e estrategistas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) avaliam que o candidato pode reduzir o impacto eleitoral da decisão de Lula de proibir as bets. A estratégia é apresentar a medida como uma resposta à pressão provocada pelo debate sobre o endividamento dos brasileiros, tema explorado pelo senador.
A equipe de Flávio afirma que os discursos do candidato fizeram a campanha adversária entrar na pauta das apostas online. Também considera que as pesquisas de intenção de voto ainda não captaram eventual benefício para Lula, já que a comunicação do tema começou no início da semana. Os aliados, porém, reconhecem que ainda é cedo para medir o efeito político da decisão.
Lula assinou nesta sexta-feira (25) uma medida provisória que coloca as apostas online na ilegalidade em todo o país. As bets foram autorizadas durante a gestão de Michel Temer (2016-2018) e regulamentadas no governo Lula no fim de 2023, depois de o mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022) terminar sem regras para o setor.
O mercado regulado passou a funcionar em 2025, depois de um período de transição. A autorização foi concedida a 85 empresas, mediante o pagamento de uma outorga de R$ 30 milhões. A arrecadação chegou a cerca de R$ 10 bilhões em 2025 e a aproximadamente R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre de 2026.
Estratégia eleitoral
A oposição às apostas é popular entre os eleitores. Pesquisa Datafolha divulgada em maio deste ano mostrou que 57% dos brasileiros consideram as bets um vício, enquanto 31% veem as apostas como perda de dinheiro. Para analistas políticos, a proibição pode atrair principalmente o voto feminino, já que as mulheres são maioria entre os eleitores indecisos.
A campanha de Flávio tenta associar Lula à criação do problema e destacar que o senador se opôs à regulamentação aprovada pelo Congresso Nacional. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o candidato afirmou: "Lula cria o problema, vem com a solução fajuta".
Aliados também dizem que a medida pode atingir setores como emissoras de televisão e times de futebol. O governo havia apresentado a regulamentação como forma de combater a lavagem de dinheiro, elevar a arrecadação e gerar empregos. Também sustentava que a regra era exigida pela lei sancionada por Temer, que previa a regulamentação em até quatro anos.
Em um evento no Rio de Janeiro, Flávio chamou a decisão de Lula de "populista, hipócrita e eleitoreira". A avaliação da campanha é que o presidente pode perder parte do ganho eleitoral se os eleitores entenderem que seu governo foi responsável pela regulamentação das apostas.



