SÃO PAULO — Candidatos às eleições de 2026 estão usando apelidos incomuns, trocadilhos, fantasias e referências a figuras políticas para tentar conquistar votos. Entre os nomes registrados estão Taxista Samurai, de Pernambuco; Plínio Trump, de Minas Gerais; Gugu Liberato, de Sergipe; e Tadala, do Rio de Janeiro.
Também há candidatos que acrescentaram aposto ao nome eleitoral. Em São Paulo, Célio Morais concorre à Câmara dos Deputados como Dr. Célio, o Lula do Bem. No Distrito Federal, Silva Fotógrafo disputa uma vaga com o nome Silva Fotógrafo, o Corno.
Humor como estratégia de campanha
O candidato do PT de São Paulo conhecido como Macarrão usa um slogan com referência sexual em sua propaganda para deputado federal: "Cansado de tomar no botão? Vote no Macarrão".
Na disputa por uma vaga de deputado estadual, Du Venturini (PRD-SP) aparece ao lado do comediante Yuri Caetano, caracterizado como a personagem Zuleide. Vestido de rosa, com peruca loira e o umbigo à mostra, o comediante grita: "Vai votar no Du!". A equipe do candidato afirma que a frase é apenas uma expressão usada por Venturini e seus apoiadores, e não um trocadilho.
Venturini disse que pensou em diferentes formas de apresentar sua candidatura antes de conhecer Caetano, que tem 1,1 milhão de seguidores no Instagram. A escolha também foi associada por ele à trajetória de Enéas Carneiro, político que ganhou notoriedade por propagandas eleitorais marcadas por bordões e forte impacto visual.
Enéas morreu em 2007. Em 1994, recebeu mais votos do que Leonel Brizola e Orestes Quércia. Em 2002, tornou-se o deputado mais votado da história até então, com mais de 4 milhões de votos.
Outros candidatos também transformaram o humor em marca eleitoral. Em 2006, o costureiro Clodovil Hernandes foi o terceiro deputado federal mais votado do país. Quatro anos depois, o palhaço Tiririca foi o deputado federal mais votado do Brasil, com mais de 1,3 milhão de votos. Ele ocupa uma cadeira na Câmara dos Deputados desde então e concorre à reeleição pelo Ceará.
Apelidos ligados a Lula, Bolsonaro e Trump
Em Alagoas, o comerciante Daniel Vieira da Silva disputa uma vaga de deputado estadual pelo PT como Lula de Alagoas. Ele chegou a anunciar a desistência da candidatura por falta de repasses do fundo eleitoral, mas voltou atrás depois de receber R$ 39 mil do partido.
Em São Paulo, a candidatura de Célio Morais recebeu R$ 600 mil do Diretório Nacional do PL e foi alvo de um pedido de impugnação. A Procuradoria Eleitoral alegou que o nome adotado poderia criar uma falsa associação com o presidente Lula.
No Distrito Federal, o motorista de aplicativo Alessandro Mito, do Podemos, concorre a deputado distrital. Ele é apresentado como sósia de Jair Bolsonaro e recebeu R$ 8.000 do partido.
Em Minas Gerais, Plínio Vicentin Junior, 59, concorre a deputado federal pelo Novo com o nome Plínio Trump. Morador de Varginha, ele informa em seu site de campanha ter três décadas de carreira como piloto de helicóptero. A identidade visual da candidatura combina as bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos com imagens da Estátua da Liberdade e do Capitólio americano.
Em Pernambuco, Sargento Bigode tenta uma vaga de deputado estadual pelo Missão. Ele ganhou notoriedade depois de ser punido pela Polícia Militar em janeiro deste ano por usar um bigode que ultrapassava a linha do lábio inferior. No mesmo estado, Taxista Samurai, do PDT, busca o mesmo cargo e é conhecido por vídeos em que demonstra habilidade com o nunchaku.
Para Anna Bentes, professora da Escola de Comunicação da Fundação Getulio Vargas, a disputa pela atenção ajuda a explicar o uso de estímulos emocionais nas campanhas. Ela afirma que, em um ambiente de excesso de informações, os candidatos recorrem a recursos capazes de provocar raiva, nojo, tristeza ou alegria.
O professor Emerson Cervi, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná, avalia que candidaturas desse tipo podem atrair o voto de protesto. Para ele, trata-se de um voto destinado a criticar o sistema, sem necessariamente representar apoio a um candidato ou partido. Esse comportamento pode se intensificar em períodos de descontentamento com a economia ou de desgaste institucional.



