DISTRITO FEDERAL — A defesa de Celina Leão nega que a governadora tenha participado das negociações para a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A manifestação foi divulgada após mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, e o empresário Thiago Miranda indicarem que ela não teria ficado afastada das tratativas.
O diálogo ocorreu em 5 de abril de 2025, quando Celina era vice-governadora do Distrito Federal e Ibaneis Rocha ocupava o governo local. Naquele período, a tentativa de aquisição do Master pelo BRB estava em andamento.
As mensagens fazem parte de documentos tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto da operação Compliance Zero. Ao compartilhar um link com Vorcaro, Miranda afirmou que Celina buscava visibilidade por ter sido excluída da negociação. O ex-banqueiro respondeu: "Não ficou de fora, não. Isso aí é jogo para se preservar na política."
Negação do governo
Em nota, o governo do Distrito Federal afirmou que a fala de Vorcaro não permite concluir que Celina tenha participado da negociação. A administração também disse que a então vice-governadora se posicionou contra a operação desde que o negócio foi anunciado, em março de 2025.
Segundo a nota, Celina tomou conhecimento da tentativa de compra pela imprensa e chegou a admitir a possibilidade de rever a operação caso assumisse o cargo de governadora. A defesa sustenta ainda que ela sempre negou relações com Vorcaro, com o Banco Master e com a transação envolvendo o BRB.
Em entrevista concedida nesta terça-feira (15), antes da divulgação das mensagens, Celina afirmou que suas atribuições como vice-governadora eram limitadas à representação política e ao cumprimento de agendas. Ela declarou que discordava da compra desde o primeiro momento e que tornou pública essa posição.
A governadora também disse ser contrária à aquisição e afirmou ter um problema pessoal com Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Ele foi preso em novembro de 2025 sob acusação de promover compras fraudulentas para obter vantagens pessoais.
Relatório da Polícia Federal
A conversa sobre Celina aparece em um relatório da Polícia Federal que descreve tentativas de obter informações contra a jornalista Malu Gaspar. O documento afirma que os investigados acompanhavam a produção de reportagens sobre supostas irregularidades no banco, analisavam questionamentos enviados pela equipe e discutiam formas de responder à cobertura.
Nas mensagens, Vorcaro fala em frear a jornalista. Miranda, por sua vez, menciona a busca por dados pessoais que poderiam prejudicá-la e compartilha informações sobre renda, processos, endereço e uso de cartões de crédito.


