JUIZ DE FORA — Gabriel Azevedo, candidato do MDB ao governo de Minas Gerais nas eleições 2026, defendeu a criação de um Governo Regional para aproximar a administração pública das diferentes áreas do estado. A proposta prevê reduzir a concentração de servidores na Cidade Administrativa e acompanhar investimentos, obras e políticas públicas mais perto da população.
Durante entrevista de 30 minutos em Juiz de Fora neste sábado (5), o candidato também colocou as ferrovias no centro de sua proposta de infraestrutura. Gabriel afirmou que pretende buscar recursos federais para iniciar projetos mesmo que eles não sejam concluídos durante seu mandato. “É caro, é caro, mas cara, não fazer demora, demora mais e não começar”, disse.
Ferrovias e rodovias
Como exemplo, Gabriel citou a ligação ferroviária entre Juiz de Fora, Matias Barbosa, Três Rios e Rio de Janeiro. Segundo ele, o trecho poderia atender ao transporte de cargas e de passageiros e ainda se conectar a áreas além de Paraíba e Cataguases a partir de Três Rios.
O candidato afirmou que pretende dialogar com o governo federal, independentemente do partido do presidente, para disputar recursos destinados a projetos ferroviários. Ele mencionou R$ 20 bilhões disponíveis em Brasília para obras desse tipo e relacionou a expansão dos trilhos ao aumento da competitividade de produtos fabricados em cidades como Ubá.
Além das ferrovias, Gabriel defendeu mudanças nos contratos de manutenção das estradas. A ideia, segundo ele, é priorizar a conservação das rodovias e não apenas a cobrança de pedágios.
Governo Regional
Na administração pública, Gabriel afirmou que o governador pode nomear cerca de 4.000 pessoas livremente na estrutura estadual. A proposta é levar parte desses servidores para as regiões de Minas Gerais, com quatro representantes por região. Ele disse que seriam 40 pessoas, menos de 1% do contingente localizado em Belo Horizonte.
O Governo Regional também teria a função de fiscalizar prazos e valores de obras, inclusive após eventos de chuva, e garantir que os recursos sejam aplicados nas próprias regiões. O candidato defendeu parcerias com universidades para fortalecer atividades já existentes e fazer o dinheiro circular localmente.
Gabriel disse que pretende estimular os setores econômicos de acordo com a vocação de cada região. Citou Ibitipoca como exemplo de aproveitamento da gastronomia, da natureza, dos serviços e de outras potencialidades para gerar empregos.
Educação e saúde
Na educação, o candidato criticou a discussão sobre escolas cívico-militares e afirmou que a prioridade deve ser garantir professores nas escolas e policiais na segurança pública. Também disse que estudantes chegam ao ensino superior sem domínio de leitura, escrita e matemática, o que obrigaria professores universitários a ensinar conteúdos básicos.
Como proposta, defendeu acompanhar a aprendizagem dos alunos e citou o programa Aprender em Rede, da Prefeitura de Juiz de Fora. Também propôs a participação de universidades e instituições da Zona da Mata, como a UFJF e a UFV, no apoio a estudantes e professores.
Na saúde, Gabriel afirmou que famílias aguardam notificações para marcar cirurgias e defendeu transparência nas filas. A proposta é informar a posição de cada paciente, o local da operação e garantir o transporte até a unidade de atendimento.
Entre as medidas citadas estão a participação de hospitais filantrópicos, os mutirões e uma distribuição mais inteligente de medicamentos, especialmente para idosos. O candidato também defendeu o uso de tecnologia sem retirar o caráter humano do atendimento e a oferta de consultas especializadas nas cidades do entorno, para reduzir deslocamentos até Juiz de Fora.
Segurança e direitos
Para a segurança pública, Gabriel propôs uma central integrada de combate à criminalidade, com compartilhamento de dados entre as polícias Militar, Civil e Federal. Também defendeu o uso de inteligência para atingir os recursos financeiros de organizações criminosas e impedir que facções atuem dentro dos presídios.
No combate à violência contra a mulher, apresentou a proposta de feminicídio zero. Entre as medidas citadas estão o uso de tornozeleiras eletrônicas para pessoas que possam cometer o crime e a criação de redes de proteção e de recomeço para mulheres que precisem deixar suas casas.
O candidato relacionou a prevenção do feminicídio ao combate ao machismo e defendeu ações de conscientização sobre respeito e autonomia das mulheres. Na área da diversidade, afirmou que a orientação sexual não é uma escolha e defendeu o respeito a pessoas LGBT, indígenas e quilombolas.
Gabriel também propôs um observatório da diversidade e apontou a educação como o primeiro passo para combater o preconceito racial. Para ele, a conduta dos políticos pode influenciar o comportamento da sociedade.



