NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o multilateralismo e criticou o uso de tarifas comerciais durante a abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22). Ele afirmou que essas medidas funcionam como instrumentos de pressão e provocam consequências negativas.
Lula disse que os pilares do sistema multilateral estão sendo enfraquecidos e que a Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta dificuldades diante da imposição de tarifas que classificou como injustas. No trecho, o presidente não citou os Estados Unidos.
“Os pilares do multilateralismo estão sendo corroídos”, declarou Lula. Em outro momento, afirmou que, apesar das sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, as exportações do país estão crescendo. O presidente também disse que o Brasil voltou a crescer de maneira sustentada e é o terceiro maior destino de investimento estrangeiro direto.
Tarifas sobre produtos brasileiros
As sobretaxas impostas pelo governo norte-americano sobre exportações brasileiras somam até 37,5%. A medida inclui uma alíquota de 25% baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos e uma cobrança adicional de 12,5%, sob a alegação de falhas na fiscalização contra o trabalho forçado.
As justificativas para a taxa de 25% envolvem disputas relacionadas ao PIX, à regulação de plataformas digitais e ao etanol. Carne bovina, café e celulose ficaram fora da lista de produtos atingidos, enquanto o etanol e o maquinário agrícola passaram a enfrentar as tarifas.
Em reação, o governo brasileiro acionou formalmente a Lei de Reciprocidade Econômica e abriu consultas diplomáticas para contestar as barreiras com os Estados Unidos e na OMC. Até o momento, não foram aplicadas retaliações práticas nem novas tarifas diretas sobre produtos norte-americanos.
Lula afirmou ainda que o Brasil deve alcançar um novo recorde de exportações neste ano, apesar das tarifas sobre a economia brasileira.



