O presidente brasileiro defendeu a soberania nacional, criticou guerras e tarifas usadas como instrumento de pressão e pediu mudanças no funcionamento das Nações Unidas durante a abertura da 81ª Sessão da Assembleia Geral da ONU. Também afirmou que o Brasil não se subordina a nenhuma potência e declarou que o país “não cabe no quintal de ninguém”.
No discurso, o presidente disse que a credibilidade da ONU está em seu ponto mais baixo e atribuiu parte da paralisia ao poder de veto no Conselho de Segurança. Ele afirmou que 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e pediu uma reunião dos líderes dos países que integram o conselho.
Guerras e soberania
O conflito entre Israel e Palestina foi um dos temas centrais. O presidente mencionou o sofrimento de palestinos e civis israelenses, criticou os atos terroristas do Hamas e afirmou que a solução de dois Estados é essencial para a segurança de israelenses e palestinos. Também condenou a perseguição ao Tribunal Penal Internacional e à relatora especial da ONU Francesca Albanese.
Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, disse que o conflito se arrasta há cinco anos e que a diplomacia é a única opção. Citou ainda o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China, como uma iniciativa voltada ao diálogo.
Na América Latina e no Caribe, defendeu a integração regional e afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a cooperação entre os países. O presidente disse que o povo venezuelano deve definir seu próprio destino, criticou a situação política da Nicarágua e mencionou a crise no Haiti. Sobre Cuba, condenou o embargo econômico e o cerco energético que, segundo ele, atingem 10 milhões de pessoas.
O discurso também tratou do combate ao crime organizado. O presidente afirmou que o Brasil pretende enfrentar organizações criminosas, combater a lavagem de dinheiro no exterior e reforçar a cooperação entre os países amazônicos. Ele citou a criação, em Manaus, do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, que reúne autoridades dos nove países amazônicos.
Segundo o presidente, em 2025 o Brasil realizou a maior operação contra o crime organizado da história do país e bateu recordes de apreensão de drogas, bens e recursos ilícitos. Também mencionou a Lei Antifacção, que prevê penas superiores às aplicadas ao terrorismo, e afirmou que o combate à corrupção continuará.
Comércio, clima e tecnologia
Ao abordar a economia internacional, o presidente criticou governos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem. Afirmou que a Organização Mundial do Comércio está enfraquecida e que, apesar do tarifaço contra a economia brasileira, o país deve registrar novo recorde de exportações neste ano.
Na agenda ambiental, defendeu a redução das emissões, a continuidade do combate ao desmatamento e a exploração de minerais críticos e terras raras com geração de valor no Brasil, transferência de tecnologia e atendimento a setores estratégicos nacionais. Também citou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado na COP30 em Belém, e afirmou que o desmatamento caiu pela metade na Amazônia, atingindo o menor nível em 11 anos.
O presidente defendeu a regulamentação das Big Techs e da inteligência artificial, além de criticar a indústria das BETs. Disse que o Brasil aprovou legislação para proteger crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital e que pretende garantir remuneração a artistas, músicos e criadores de conteúdo audiovisual.
Na área financeira, afirmou que o país não aceitará a privatização do PIX, descrito no discurso como uma infraestrutura pública e gratuita de pagamentos que ampliou a inclusão financeira.
Desenvolvimento e eleições
O presidente defendeu políticas de distribuição de renda, geração de empregos, valorização do salário, ampliação do crédito e fortalecimento da proteção social. Também afirmou que o Brasil voltou a crescer de forma sustentada e é o terceiro maior destino de investimento estrangeiro direto.
Entre as propostas para o mercado de trabalho, mencionou o fim da escala 6x1, com 2 dias livres por semana, como forma de reduzir a sobrecarga doméstica que recai sobre as mulheres. O discurso também defendeu medidas contra o feminicídio e a ampliação da participação feminina no poder e no mercado de trabalho.
Ao concluir, o presidente afirmou que, no dia quatro de outubro, milhões de brasileiros irão às urnas para escolher o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo. Disse que a eleição será transparente e competitiva, criticou redes de desinformação e declarou que o sistema eleitoral brasileiro é moderno e robusto.
A mensagem final foi de defesa da soberania e da democracia brasileiras. O presidente afirmou que a democracia pertence aos brasileiros e que o país continuará soberano.



