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Política

Lula promete acabar com bets, enquanto Flávio defende apostas em esportes reais

Presidente endurece posição sobre apostas online; senador critica a regulamentação, mas diferencia cassinos de partidas de futebol, vôlei e tênis.

Lula endurece discurso sobre bets; Flávio critica regulamentação atual, mas defende aposta esportiva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a defender o fim das bets durante a campanha à reeleição, depois de seu governo ter criado regras para o setor. Flávio Bolsonaro, também candidato à Presidência, critica a regulamentação, mas afirma que apostas em partidas reais de futebol, vôlei e tênis podem ser controladas.

Lula disse nesta semana que o Brasil não vai tolerar um modelo de negócios que, segundo ele, transforma o vício em lucro e contribui para o endividamento das famílias. Na propaganda eleitoral, chamou as apostas online de vício e doença e declarou: "A gente vai acabar com as bets".

O governo avalia uma medida provisória para proibir bets e cassinos online, como o jogo do tigrinho. A possibilidade representa uma mudança em relação à política adotada no início do mandato.

Da regulamentação à promessa de proibição

Em 2023, o Executivo enviou ao Congresso uma proposta para regulamentar as apostas de quota fixa, modalidade autorizada por uma lei aprovada em 2018, durante o governo Michel Temer. No fim de 2023, Lula sancionou a Lei 14.790, que estabeleceu licenças, tributação e medidas contra lavagem de dinheiro, manipulação de resultados e jogo problemático.

A justificativa era submeter à fiscalização um mercado que já funcionava sem regras. Em entrevista à Rádio Metrópole, em outubro de 2024, Lula apresentou a regulação como alternativa ao encerramento das apostas. "Nós optamos pela regulação", afirmou. Na mesma ocasião, disse que poderia acabar com o setor caso as regras não resolvessem o problema.

O tom mudou ao longo do tempo. Em maio de 2026, no programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula disse que proibiria todas, mas ressaltou que a decisão não dependia apenas dele. Em agosto, afirmou que, se dependesse de sua vontade pessoal, encerraria as bets. Em setembro, comparou a expansão das apostas à do crack ao falar sobre seus efeitos sociais.

O Banco Central estimou que cerca de 24 milhões de pessoas fizeram pelo menos uma transferência por Pix para empresas de apostas e jogos online em 2024. Os repasses mensais ficaram entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões. Em agosto de 2024, cinco milhões de pessoas de famílias beneficiárias do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões por Pix para essas empresas.

Até agosto de 2026, 43,8 milhões de brasileiros haviam apostado em plataformas autorizadas, o equivalente a 27% da população adulta. No primeiro semestre, as plataformas receberam R$ 88,5 bilhões em depósitos e pagaram R$ 68,3 bilhões em prêmios.

Em julho, novas regras passaram a exigir alertas sobre dependência, risco de perda financeira e o fato de que aposta não é investimento. Também foram proibidos anúncios com palpites ou análises capazes de induzir apostas, mensagens sobre ganhos garantidos e estímulos ao jogo excessivo ou à decisão imediata.

Críticas de Flávio e opinião dos eleitores

Flávio Bolsonaro afirma ter votado contra a regulamentação sancionada em dezembro de 2023. Em vídeo de campanha, disse que as pessoas podem se iludir com a possibilidade de ganhar dinheiro, gastar o que não têm e terminar endividadas.

O senador, porém, diferencia os jogos em geral das apostas esportivas. Em transmissão com Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, declarou: "O cassino online tem que acabar". Para ele, apostas em eventos esportivos reais podem ser submetidas a controle.

A rejeição às bets já era majoritária antes da atual ofensiva eleitoral. Em novembro de 2024, 65% dos brasileiros defendiam a proibição das apostas esportivas online. O índice era de 68% entre mulheres e 61% entre homens.

Uma pesquisa divulgada nesta semana apontou que 75% apoiam a proibição, acima dos 73% registrados em abril. O levantamento também mostrou que 36% atribuem ao governo Lula a principal responsabilidade pela disseminação das bets. O governo Jair Bolsonaro foi citado por 25%, e o Congresso, por 16,5%.

Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, o tema integra a disputa pelos eleitores que ainda não escolheram entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na avaliação dele, as duas campanhas tentam atrair votos de outros candidatos e encerrar a disputa no primeiro turno.

Consentino afirma que Lula busca recuperar uma imagem pública desgastada com anúncios de apelo popular, enquanto a campanha de Flávio apresenta o governo como leniente com as apostas e associa a mudança de posição do presidente ao período eleitoral. Para o professor, o discurso sobre as bets é difuso e pode ser percebido por parte do eleitorado como demagógico devido ao tom eleitoreiro.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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