NOVO PROGRESSO — A mobilização política da direita perdeu força em Novo Progresso, no sul do Pará, poucas semanas antes do primeiro turno das eleições. Na cidade, que registrou a maior votação proporcional para Jair Bolsonaro na Amazônia em 2022, havia pouca movimentação em apoio a Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência e filho do ex-presidente.
Bolsonaro recebeu 79,6% dos votos no primeiro turno de 2022 no município. No segundo turno, alcançou 82,92% dos votos válidos. Agora, políticos bolsonaristas locais associam o esvaziamento à investigação sobre os atos realizados após a derrota de Bolsonaro.
Denúncia e bloqueios na BR-163
Depois de uma investigação da Polícia Federal, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou ao Supremo Tribunal Federal nove pessoas suspeitas de participação nos atos na cidade e nas proximidades. A denúncia foi apresentada em 24 de agosto.
Os manifestantes bloquearam a BR-163 por uma semana. Empresários locais participaram das ações com frotas e funcionários de suas empresas. Policiais rodoviários federais e viaturas foram atacados com pedras, e tiros foram disparados durante os bloqueios. Segundo a polícia, todos os veículos usados para liberar a rodovia foram apedrejados, e três viaturas foram perfuradas por balas.
O Ministério Público Federal afirmou que houve tentativa de homicídio contra os policiais e que o ato tinha como objetivo um golpe de Estado. O caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República por estar relacionado à investigação sobre a tentativa de golpe. Nesse processo, Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão.
Para os moradores denunciados, a PGR apontou os crimes de associação criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito. A denúncia não identifica quem teria apedrejado ou atirado contra os policiais.
Baixa presença nas ruas
Um adesivaço organizado pelo vereador Pedro de Vargas (União Brasil) reuniu poucos carros e cabos eleitorais. Os adesivos tinham imagens de Flávio e Jair Bolsonaro. Segundo o vereador, além da investigação, o apoio do prefeito ao grupo político do ex-governador Helder Barbalho (MDB), aliado de Lula, ajuda a explicar a falta de mobilização. “Aqui está tudo parado”, afirmou.
Entre os nove denunciados, a desmobilização é mais visível. A maior parte deixou Novo Progresso ou se desfez de imóveis e pequenos negócios. Os que permaneceram afirmam manter preferência pela família Bolsonaro, mas dizem estar afastados da disputa eleitoral de 2026.
Carlos Henrique Ferreira, 40, trabalha em uma retífica de motores e tem a defesa custeada pelo tio, dono do estabelecimento. Filmado durante os atos, ele afirmou que a polícia agiu contra a população e que os moradores reagiram. Carlos também criticou a fiscalização contra atividades ilegais de derrubada da floresta.
Jeferson Paulo Milioni, outro denunciado, continua na cidade. A empresa agropecuária em que trabalhava paga sua defesa. Depois de ser preso pela PF, ele abriu uma pizzaria. Vídeos citados na denúncia mostram sua participação no bloqueio da BR-163. Ele afirma que ainda não decidiu o voto e diz que não havia motivação política nos atos.
A economia de Novo Progresso depende de garimpos de ouro, exploração de madeira, pecuária e soja, atividades que frequentemente são exploradas na ilegalidade. Com 37 mil habitantes, o município esteve entre os que registraram maior desmatamento da Amazônia durante o governo Bolsonaro.
Na BR-163, entre Mato Grosso e Pará, não foram observadas demonstrações de apoio a Flávio semelhantes às de 2018 e 2022. Em propriedades rurais, algumas pessoas optaram por exibir bandeiras do Brasil. Em Novo Mundo (MT), o produtor Claudiney Pereira, 59, colocou também uma bandeira dos Estados Unidos e declarou voto em Flávio.



