A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (10) 49 mandados de busca e apreensão na operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares destinados a entidades relacionadas à produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre os 29 investigados está o deputado federal Mario Frias (PL-RJ). Também são alvos Raphael Augusto Azevedo, ex-chefe de gabinete do parlamentar, e os assessores André Velloso Belleza Cortes e Luiz Claudio Faria Velloso, que atualmente trabalham no gabinete de Frias na Câmara dos Deputados.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), os 29 investigados estão sujeitos a medidas cautelares. As restrições incluem a proibição de contato entre eles e a ordem para não deixar o país. A decisão que autorizou a operação não detalhava a participação individual de cada alvo nas suspeitas apuradas.
Alvos da operação
A lista inclui Mario Luis Frias, Karina Ferreira da Gama, Raphael Augusto Azevedo, Ademar de Sena Sampaio, André Feldman, Débora Gomes Feldman, William Silva Ferreira, Alex Leandro Bispo dos Santos, Dayvid Moreira Medeiros, Daywson Moreira Medeiros, Georgia Helena Medeiros Lira, Heric Fabiano Dias, Luiza Tessari Rocha Dias, Pamella Cristiane Dias, Ana Patrícia Aguiar dos Santos, Marcos Lima dos Santos, Francelino Aparecido Barreto Pereira, Fábio Lago Meirelles, Diego Aguilera Martinez, Catia Regina Peinado, Kayo Henrique Azevedo, Rudyge Alex Scatolini Boldrini, Wemerson Marinho da Gama, Marcello Machado, Vanderlei Magalhães Natividade, Bruno Cassimiro da Silva, Anna Karolina de Oliveira Silva, Luiz Claudio Faria Velloso e André Velloso Belleza Cortes.
A investigação também alcança o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que mantém contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi na periferia da capital. Entre os alvos relacionados ao contrato estão Karina Ferreira da Gama, apontada como dona do ICB e da Go Up produções; André Feldman e Débora Gomes Feldman, donos da Complexsys Soluções Integradas Ltda. e da Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda.; William Silva Ferreira, dono da Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda.; Alex Leandro Bispo dos Santos, ex-dono da Favela Conectada; e Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina e ex-dirigente do ICB.
Suspeitas investigadas
Segundo a Polícia Federal, uma organização formada por agentes públicos e privados teria direcionado recursos de emendas parlamentares para empresas subcontratadas sem comprovação da prestação dos serviços. Os recursos seriam destinados a entidades ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora de “Dark Horse”.
Em maio, comprovantes bancários indicaram que uma ex-funcionária do gabinete de Mario Frias pagou despesas pessoais da família do deputado e fez transferências via Pix para Raphael Augusto Azevedo, que era chefe de gabinete na época. O caso passou a ser investigado por suspeitas de rachadinha.
Raphael não aparece atualmente entre os funcionários do gabinete de Frias na Câmara. André Velloso Belleza Cortes e Luiz Claudio Faria Velloso continuam na equipe, ambos como secretários parlamentares.
Em manifestação enviada ao STF em maio, o deputado negou que as emendas destinadas a ONGs ligadas à produtora do filme tenham sido aplicadas em “qualquer produção cinematográfica”.

