O PL, partido com a maior fatia do fundo eleitoral em 2026, destinou 26,7% dos recursos a candidaturas femininas e 22,8% a candidaturas negras até a prestação parcial de contas entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os percentuais ficaram abaixo do mínimo de 30% exigido para os dois grupos.
O partido transferiu R$ 833 milhões antes do primeiro turno. Entre as legendas analisadas, foi a única que não alcançou o piso nas duas categorias. Para mulheres, a regra também determina que o repasse acompanhe a proporção de candidaturas femininas lançadas, sempre acima do mínimo de 30%. Para candidaturas negras, vale o piso de 30%, sem relação com a proporção de candidatos lançados.
O repasse referente ao primeiro turno deveria ter sido feito até 8 de setembro. A verificação definitiva, porém, será realizada pela Justiça Eleitoral depois da prestação final de contas de partidos e candidatos, prevista para novembro. Até essa etapa, os dados podem ser corrigidos.
Diferenças entre partidos
O PT, que recebeu o segundo maior valor do fundo eleitoral, declarou R$ 519,4 milhões em recursos. Desse total, 43% foram destinados a mulheres, acima dos 36,8% correspondentes à proporção de candidaturas femininas lançadas. Para candidaturas negras, o percentual foi de 35,1%.
Além do PL, o PRTB não atingiu 30% para mulheres. Dos dez candidatos lançados pelo partido, uma mulher, que era suplente, não declarou recebimento do fundo.
Para candidaturas negras, também ficaram abaixo de 30% Cidadania, com 26,4%; Novo, com 27,1%; MDB, com 28,4%; e PSD, com 29,6%. No caso das mulheres, Novo, MDB, Avante, PDT, Solidariedade, PSD, Republicanos, PSTU, Podemos, PP, PSDB e PRD superaram 30%, mas não alcançaram a proporção correspondente às candidaturas femininas lançadas.
PCO, PCB e Democrata não entraram na análise porque nenhum de seus candidatos declarou receitas do fundo dentro do prazo.
Considerando todos os partidos, foram declarados R$ 4,56 bilhões, equivalentes a 91,8% dos R$ 4,96 bilhões disponíveis. A cada R$ 100, R$ 43,97 foram para homens brancos, R$ 20,34 para homens negros, R$ 20,30 para mulheres brancas e R$ 14,07 para mulheres negras.
Mulheres representaram 34,85% das candidatas e receberam 35,01% dos recursos. Pessoas negras eram 49,64% dos postulantes e receberam 34,35%, uma diferença de 15,29 pontos percentuais. Mulheres negras correspondiam a 51,27% das candidatas mulheres, mas receberam 14,07% do fundo distribuído.
Respostas e avaliação
O MDB afirmou que cumpriu as cotas, com 33,04% dos recursos para candidatos negros e 36,43% para mulheres, e disse que a declaração individual dos candidatos não refletia os números oficiais entregues pelo partido ao TSE. Novo, PSD, PSDB, PDT, Republicanos e PSTU também apontaram diferenças relacionadas a pagamentos diretos a fornecedores, suplentes, vices ou despesas compartilhadas.
A pesquisadora Teresa Sacchet, do Observatório Nacional da Mulher na Política, relacionou a diferença na distribuição para candidaturas negras ao fim da regra de proporcionalidade, após a aprovação da chamada PEC da Anistia no Congresso em 2024. Segundo ela, o cenário pode contribuir para manter a participação de mulheres negras no Congresso em torno de 5%.
A cientista política Hannah Maruci, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, classificou a baixa representação como um ciclo que se retroalimenta. As pesquisadoras afirmam que houve avanço em relação a eleições anteriores, mas avaliam que os partidos ainda tratam o piso de 30% como um teto.
A análise considera apenas o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como fundo eleitoral. O recurso corresponde a 85% das verbas de financiamento das candidaturas em 2026. O fundo partidário ficou fora do cálculo. Foram consideradas candidaturas com pedidos aceitos até 18 de agosto, sem incluir candidaturas substitutas.



