O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se suspeito por motivo de foro íntimo e não participará do julgamento que pode levar à abertura de uma investigação sobre Alexandre de Moraes. A análise está marcada para esta terça-feira.
Toffoli afirmou que continuará na sessão e poderá pedir a palavra durante os debates, caso considere necessário. Ele disse que a decisão busca preservar a Corte diante de possíveis especulações. "Eu declaro a minha suspeição para participar desse julgamento, mas não me retirarei", afirmou.
Relatoria do caso Master
Toffoli era o relator das investigações do caso Master, mas deixou a função depois que apurações da Polícia Federal apontaram uma ligação dele próprio com negócios da instituição financeira. Desde então, não participou de julgamentos sobre o caso na Segunda Turma do STF, incluindo decisões que confirmaram a prisão de Daniel Vorcaro, de familiares dele e do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
O julgamento desta terça-feira tratará da validade de um relatório elaborado pela PF a pedido do ministro André Mendonça. O documento revelou mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes, nas quais o ex-banqueiro sugeria que teria proteção contra as investigações.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, assinou manifestação segundo a qual Mendonça, relator do caso Master no STF, não deveria pedir apurações sobre o destinatário das mensagens sem uma solicitação do Ministério Público ou da própria PF.
As investigações também apontaram ligações entre o Master, a gestora de investimentos Reag e o Resort Tayayá, no Paraná. Em 2021, uma empresa administrada pelos irmãos de Toffoli, da qual o ministro informou ser sócio, vendeu a um fundo de investimentos uma participação que mantinha no resort. A Maridt, empresa dos irmãos, permaneceu com participação no local até o ano passado.



