A inteligência artificial generativa mudou práticas de convivência no trabalho e criou novas situações para as quais as regras tradicionais de etiqueta ainda precisam ser aplicadas. Uma pesquisa da Deloitte com 25 mil trabalhadores no Reino Unido mostrou que 63% usam ferramentas de IA no ambiente profissional, principalmente para buscar informações, escrever e-mails e resumir conteúdos.
A busca por estudos e dados tende a gerar menos problemas quando a ferramenta é usada para apoiar o próprio trabalho. Já os textos produzidos para comunicação com outras pessoas exigem mais atenção. Sugestões de e-mails podem soar frias, robóticas ou diferentes da maneira como o remetente normalmente escreve.
Myka Meier, fundadora da Beaumont Etiquette, empresa que oferece treinamento em conduta profissional, afirma: "As pessoas conseguem detectar a IA com muita facilidade". Os cursos da empresa sobre etiqueta no uso dessas ferramentas enfatizam a importância de preservar o toque pessoal e humano.
Resumos e revisão continuam sendo responsabilidade de quem envia
O uso de resumos automáticos também pode ser inadequado quando o conteúdo é importante para outra pessoa. Uma conversa extensa sobre uma avaliação de desempenho, por exemplo, pode ser reduzida a poucos parágrafos e deixar de fora realizações e metas consideradas relevantes por quem participou da conversa.
Recorrer à IA para condensar transcrições ou relatórios que só serão usados pelo próprio profissional é diferente de enviar a outra pessoa um resumo sem conferir se os pontos essenciais foram preservados. Nesse caso, a ferramenta não elimina a necessidade de cuidado e atenção.
O mesmo vale para respostas a clientes, avaliações de concorrentes e outros materiais produzidos com auxílio de IA. Enviar esse conteúdo sem verificar sua exatidão transfere a tarefa de revisão para um colega. Mais de um terço dos trabalhadores dos Estados Unidos afirma já ter recebido materiais malfeitos gerados por IA, que exigem mais de três horas por mês para serem corrigidos.
A transparência é outro ponto central. Gravar uma reunião on-line ou enviar um assistente de IA para fazer anotações sem avisar os participantes pode ser percebido como falta de consideração. Explicar previamente o uso da ferramenta e pedir a concordância de todos torna a prática mais aceitável.
A facilidade proporcionada pela tecnologia não transforma automaticamente uma conduta em algo adequado. As regras continuam baseadas em princípios conhecidos: respeitar o tempo e o trabalho alheios, revisar o que será compartilhado e comunicar com clareza quando a IA estiver envolvida.



