PARIS — O papa Leão XIV pediu uma revisão dos rumos do desenvolvimento da inteligência artificial ao iniciar, nesta sexta-feira (25), uma visita de quatro dias à França. Em discurso no Palácio do Eliseu, ele afirmou que o avanço da tecnologia precisa ser acompanhado por uma formação voltada ao discernimento ético.
"Se quisermos evitar perder nossa humanidade em meio a um 'paraíso de máquinas' que invade e condiciona nosso cotidiano, há uma necessidade urgente de educação em discernimento ético", disse o pontífice.
O tema integra o papado de Leão XIV há 16 meses e ocupa lugar central na agenda da viagem, a primeira de um papa à França em quase 20 anos. Ao chegar ao país, ele também declarou que pretendia levar uma mensagem de paz. "É uma mensagem que, neste momento, como todos sabemos, é particularmente importante", afirmou a jornalistas no avião.
Críticas a práticas médicas
O papa reiterou os ensinamentos pró-vida da Igreja Católica e se manifestou contra iniciativas relacionadas ao suicídio assistido para pessoas com doenças incuráveis. A declaração ocorreu dois meses depois de políticos franceses aprovarem uma medida nesse sentido.
Leão XIV também citou a manipulação genética, a barriga de aluguel e o comércio de órgãos humanos como práticas que, em sua avaliação, podem transformar ciência e tecnologia em atividades orientadas pelo lucro.
A viagem inclui Paris, Lourdes, no sudoeste da França, e Metz, na fronteira com a Alemanha. Nesta sexta-feira, o papa deveria participar de uma cerimônia religiosa na Catedral de Notre-Dame restaurada, na primeira visita papal ao local desde o incêndio de 2019.
Abusos na Igreja
Em Lourdes, no domingo, Leão XIV deve se reunir com sete vítimas francesas de abusos cometidos por membros do clero católico. A agenda ocorre após um relatório de 2021 apontar que cerca de 330 mil crianças francesas foram abusadas por integrantes do clero e líderes leigos católicos ao longo de sete décadas.
O papa também deve apresentar, na segunda-feira (28), sua visão sobre o futuro da Europa. Durante a visita, ele fará ainda um discurso na sede da UNESCO, órgão da ONU voltado para cultura e educação.
A França mantém a separação entre Igreja e Estado em uma lei de 1905. Um relatório do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos mostrou que 25% dos franceses entre 18 e 49 anos se identificavam como católicos, ante 43% uma década antes. A visita acontece em meio a divergências entre líderes católicos e o governo sobre o aborto, incluído na Constituição francesa em 2024, e sobre o suicídio assistido.



