O Acre registrou 877 focos de queimadas em setembro de 2026, informou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O resultado representa uma alta de 80% em relação a agosto, quando foram contabilizados 487 focos.
Na comparação com setembro de 2025, o aumento foi de 37 registros. O estado havia registrado 840 focos naquele mês, o que corresponde a uma elevação de 4,4% em um ano.
Entre janeiro e agosto de 2026, o Acre acumulou 584 focos. Assim, apenas setembro teve 293 ocorrências a mais do que os oito primeiros meses do ano somados.
Queimadas aumentaram a partir de maio
Os dados do Inpe mostram que o ano começou com números baixos. Foram dois focos em janeiro e dois em fevereiro. Março não teve ocorrências contabilizadas, enquanto abril terminou com dois registros.
A partir de maio, os números cresceram: foram 15 focos naquele mês, 20 em junho e 56 em julho. Em agosto, o total chegou a 487, alta de aproximadamente 770% em relação ao mês anterior.
O volume de chuvas é apontado como um fator de diferença entre o início e o restante de 2026. Em março, Rio Branco acumulou 366,8 milímetros de chuva, cerca de 33% acima da média histórica para o mês. Nesse período, os índices de queimadas permaneceram baixos.
Agosto, setembro e outubro costumam concentrar mais registros na região amazônica. Esse período é associado ao verão amazônico, marcado pela redução das chuvas e pelo aumento da limpeza de áreas com uso do fogo.
Desmatamento e terras indígenas
O crescimento das queimadas ocorre enquanto o Acre enfrenta pressão sobre a floresta. Em levantamento divulgado em agosto, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) colocou Feijó, Tarauacá e Sena Madureira entre os municípios com maior desmatamento.
Feijó ficou em segundo lugar, Tarauacá ocupou a terceira posição e Sena Madureira apareceu na oitava. Naquele mês, o Acre respondeu por 22% do desmatamento identificado na Amazônia Legal, com 97 km² de área desmatada.
Em setembro de 2026, oito terras indígenas tiveram focos de queimadas, totalizando 18 ocorrências. A Terra Indígena Mamoadate concentrou sete focos, ou 38,9% do total.
Também foram registrados focos nas terras indígenas Kaxinawá da Praia do Carapanã, com três; Alto Rio Purus e Kaxinawá Nova Olinda, com dois cada; e Campinas/Katukina, Jaminawa/Envira, Kaxinawá do Rio Humaitá e Poyanawa, com um cada.
Em 2025, o Acre fechou o ano com 2.184 focos, menor número em mais de duas décadas e queda de 75% em relação a 2024, quando foram registrados mais de 8 mil focos. No primeiro quadrimestre daquele ano, a redução havia sido de quase 100%. Em janeiro, porém, houve 43 focos, o maior número para o mês desde o início da série histórica do Inpe, em 1998.



