JUIZ DE FORA — A dentista Gilmara Mageste, de 55 anos, e o psicólogo Gustavo Alves, de 29, encontraram na vida adulta maneiras de realizar desejos que ficaram para trás durante a infância. Ela retomou a dança ao entrar em uma turma de jazz; ele começou a comprar as Barbies que queria quando conseguiu o primeiro estágio remunerado.
Gilmara teve contato com a dança desde cedo, em Rio Pomba, na Zona da Mata mineira. Nos intervalos dos estudos, colocava música para tocar e dançava. Também participava de bailes de Carnaval com fantasias feitas pela mãe e desfilava em carros alegóricos de escolas de samba.
Como não havia escolas de dança na cidade, a atividade não entrou na rotina da família. Aos 15 anos, Gilmara se mudou para Juiz de Fora para continuar os estudos. Depois, cursou odontologia, casou-se, teve dois filhos e construiu uma carreira de mais de 30 anos.
A dança voltou à rotina quando ela acompanhava a filha nas aulas de jazz. Enquanto esperava, recebeu de uma professora o convite para experimentar uma turma de iniciantes. Aos 40 anos, aceitou começar. “Minha primeira aula foi um encontro com a arte que já fazia parte de mim”, contou.
O início exigiu que aprendesse os passos e se dedicasse aos estudos. Mais tarde, ela também passou a subir ao palco. Após 15 anos de dança, continua fazendo cursos de jazz em diferentes estilos. Para Gilmara, a atividade representa cuidado pessoal e transformação.
Gustavo, por sua vez, gostava das bonecas desde criança, mas não podia brincar com elas porque a mãe considerava que não eram brinquedos para meninos. Ele brincava escondido com Barbies da prima e de amigas. Também acompanhava lançamentos em folhetos de lojas e desenhava as bonecas e as roupas que gostaria de ter.
Quando conseguiu o primeiro estágio remunerado, começou a comprar os modelos que desejava. A primeira Barbie chegou em 2020, e a coleção soma hoje 46 bonecas. “Fiquei com uma sensação de dever cumprido”, afirmou.
Depois da compra inicial, Gustavo fez uma lista dos modelos que procurava em sites de venda, bazares e feiras. Cerca de 80% da coleção é formada por peças usadas. Ele também recebe bonecas de pessoas que conhecem seu hobby, incluindo peças que pertenceram a primas ou amigas.
O psicólogo lava os cabelos das bonecas, organiza as roupas e recupera itens usados. Para ele, esse cuidado também é uma forma de descanso e relaxamento. Na vida adulta, precisou lidar com críticas, mas passou a montar a coleção conforme os próprios interesses. As bonecas, diz, permitem que ele reconheça a criança que foi e o que conseguiu conquistar.



