SÃO PAULO — O engenheiro civil Fabio José de Oliveira relatou à Controladoria Geral do Município de São Paulo (CGM) ter encontrado irregularidades em um imóvel em construção na Penha, zona leste da capital. O prédio desabou no sábado (12), deixando seis mortos.
Oliveira esteve na CGM na sexta-feira (18). Ele afirmou que vistoriou a obra em fevereiro, após ser chamado por um representante da New Home Construtora, responsável pelo empreendimento, para realizar serviços no local.
Durante a inspeção, o engenheiro disse ter identificado cerca de 50 apartamentos, acima das 39 unidades habitacionais previstas no alvará de aprovação e execução. Também relatou a existência de novos reforços estruturais e afirmou que as escadas não atendiam às normas do Corpo de Bombeiros a partir do quarto andar, onde o espaço ficava mais estreito.
Segundo o depoimento, a construção afetava imóveis vizinhos. Oliveira afirmou ter observado que a obra “puxava uma das casas e empurrava a outra”. A casa atingida pelo desabamento apresentava rachaduras, que também apareciam na sarjeta e chegavam à calçada.
Problemas apontados na vistoria
O engenheiro disse que o projeto não previa caixa-d’água nem reservatório para combate a incêndio. Diante dos problemas estruturais, recomendou a retirada da família que vivia no imóvel vizinho, por avaliar que havia risco de colapso.
Depois da vistoria, começou uma negociação com a construtora sobre medidas como a reestruturação do subsolo e a análise do uso do solo. Representantes da New Home informaram a Oliveira que tinham cerca de R$ 670 mil para a reforma. Ele recusou o valor, que considerou inviável diante dos problemas estruturais.
Sem uma análise do solo, o engenheiro afirmou ser difícil calcular o custo exato dos reparos. A estimativa apresentada ficou entre R$ 1,5 milhão e R$ 5 milhões para deixar a edificação em condições de receber a aprovação do habite-se da prefeitura. Após o envio da proposta de orçamento, no início de março, a negociação não avançou e a construtora deixou de responder.
Oliveira entregou à prefeitura fotos, vídeos, áudios e a proposta comercial. O material tratava das condições estruturais e do risco de colapso.
A prefeitura conduz uma investigação paralela à da Polícia Civil sobre possíveis irregularidades na construção do edifício da rua Tequici. A CGM informou ter embargado todas as obras em andamento na capital das empresas envolvidas no desabamento.
A Polícia Civil apreendeu computadores, celulares e documentos nesta quinta (24), na Operação Ponto de Ruptura. Foram cumpridos mandados em imóveis na zona leste da capital e em Guarujá, na Baixada Santista. A Justiça havia expedido oito mandados.
Três responsáveis pela New Home tiveram a prisão decretada. Um sócio está preso, enquanto um casal permanece foragido. Uma servidora da Subprefeitura da Penha também é investigada por ter atestado a demolição de parte do edifício, que não ocorreu. Ela já prestou depoimento.



