Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,13 · Euro R$ 5,95 · Ibovespa 185.147 +0,00%
A economia explicada todos os dias
Brasil

Ex-major brasileiro é julgado na Bélgica por tráfico de 67 toneladas de cocaína

Sérgio Roberto de Carvalho e outros 30 réus respondem por um esquema que teria enviado drogas à Europa entre 2017 e 2020.

Ex-major brasileiro é julgado na Bélgica por tráfico de 67 toneladas de cocaína
Foto: Reprodução/Fantástico

O ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Sérgio Roberto de Carvalho voltou a ser julgado nesta segunda-feira (7) na Bélgica, acusado de chefiar uma rede internacional de tráfico de drogas. O processo no Tribunal de Apelação de Ghent tem duração prevista de pelo menos quatro semanas, com audiências em todos os dias úteis, das 10h às 17h30.

Carvalho, conhecido como “Escobar brasileiro”, nega participação no esquema. Além dele, outros 30 réus são julgados. Segundo as investigações, a organização teria enviado pelo menos 67 toneladas de cocaína para a Europa entre 2017 e 2020. O volume é apontado como o maior já registrado na chamada Rota do Atlântico.

As sessões ocorrem no complexo judicial de Ghent sob forte esquema de segurança. Os acusados estão separados dos policiais por uma estrutura de vidro. As defesas afirmam que a medida dificulta a comunicação com os réus. Em decisão divulgada em maio, o Tribunal de Primeira Instância da Flandres Ocidental determinou que os acusados pudessem conversar em particular com os advogados, fazer anotações e entregá-las à defesa.

Questionamentos no início do julgamento

No primeiro dia, a defesa de Flor Bressers, outro acusado no processo, questionou o prazo e a forma de apresentação de petições pelo Ministério Público da Bélgica. O juiz decidiu analisar o tema na sentença, sem interromper o processo.

O julgamento foi reorganizado após o Tribunal de Apelação de Gante aceitar pedidos de afastamento dos magistrados que conduziam o caso. Em janeiro, o tribunal havia encerrado os debates sem ouvir as alegações finais do Ministério Público, das defesas e dos acusados. A corte considerou que a situação gerou dúvidas justificáveis sobre a imparcialidade dos juízes.

Três novos magistrados assumiram o processo. A retomada formal ocorreu em março, seguida por novas audiências em abril. Em maio, foram definidos prazos para as partes e marcada a continuidade para 7 de setembro.

Trajetória de Sérgio Roberto de Carvalho

Carvalho passou para a reserva da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul em 1997. No ano seguinte, foi condenado no Brasil a mais de 15 anos de prisão por tráfico de cerca de 230 quilos de cocaína. Ele foi demitido da corporação em 2018.

Durante o período em que esteve foragido, viveu na Espanha com a identidade falsa de Paul Wouter, apresentado como empresário do Suriname. Foi preso pelas autoridades espanholas em 2020, pagou fiança e acabou solto. Depois, um atestado de óbito falso informou que Wouter havia morrido de Covid-19.

A fraude foi descoberta após autoridades brasileiras alertarem investigadores europeus sobre a identidade do ex-major. Em buscas relacionadas a Carvalho em Portugal, policiais encontraram 12 milhões de euros. Ele foi preso em Budapeste, na Hungria, em junho de 2022, e depois extraditado para a Bélgica, onde permanece detido.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.