A atuação de André Mendonça nos embates recentes com Alexandre de Moraes é comparada por Juliano Spyer à trajetória de Sansão, personagem do livro de Juízes. A associação parte da leitura comum em grupos evangélicos bolsonaristas, que relacionam Moraes ao faraó do Egito e interpretam a disputa política por meio de referências bíblicas.
Mendonça havia pedido orações aos evangélicos diante dos conflitos com Moraes. Para Spyer, o gesto reforçou a percepção de que os dois lados protagonizariam uma luta entre a luz e as trevas. O autor afirma que esse modo de interpretar a política tende a simplificar os personagens e a deixar de lado suas contradições.
A comparação com Sansão
Segundo a análise, Mendonça poderia ser associado a Sansão, juiz de Israel cuja história aparece nos capítulos 14 a 16 de Juízes. O personagem era conhecido pela força extraordinária, ligada aos cabelos. Depois de revelar seu segredo a Dalila, teve as tranças cortadas, foi capturado pelos inimigos, perdeu a visão e acabou destruindo as colunas do templo dos filisteus.
A narrativa bíblica registra que a morte de Sansão provocou mais vítimas do que toda a sua vida. Spyer usa esse episódio para sustentar que o juiz bíblico simboliza alguém que, ao atacar os adversários, também se destrói.
Na avaliação apresentada, Mendonça teria ignorado vulnerabilidades próprias ao confrontar Moraes. São citados o Iter, seus contratos com órgãos públicos e recursos recebidos de um sócio de Daniel Vorcaro, além da amizade com Ciro Rocha Soares, advogado que teria intermediado o encontro entre Mendonça e Vorcaro na sede do instituto em São Paulo.
STF e futuro político
O ministro passou a relatar o caso Master em um momento descrito como o maior teste de sua carreira no Supremo Tribunal Federal. Na sessão de 15 de setembro, sua atuação é comparada ao gesto de Sansão ao derrubar as colunas do templo. A avaliação é que o prédio do STF permaneceu de pé, mas a Corte ficou sob os escombros políticos do episódio.
Spyer também afirma que Mendonça foi o quadro técnico incorporado por Jair Bolsonaro ao governo com maior habilidade política. Ele teria chegado ao STF apesar do pouco empenho de Bolsonaro e da oposição de Alcolumbre, usando a afinidade religiosa com Michelle Bolsonaro e o apoio da bancada evangélica.
A análise conclui que o futuro de Mendonça pode ser definido pelo desfecho da disputa com Moraes. Caso Moraes seja punido, o ministro seria visto como vingador; se Mendonça sofrer punição, poderia ocupar o papel de herói injustiçado. O texto relaciona esse cenário à possibilidade de o magistrado deixar o STF e disputar um cargo eletivo.



