FILADÉLFIA (EUA) — Mark Zuckerberg afirmou que a Meta alcançou a fronteira da inteligência artificial e pretende ampliar os investimentos para disputar espaço com Anthropic e OpenAI. O presidente-executivo também rejeitou pedidos para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia.
A declaração ocorreu no lançamento do Muse Wonder, novo modelo de IA da empresa. Segundo Zuckerberg, o sistema permite comportamentos mais sofisticados e está na fronteira do que vem sendo desenvolvido no setor. A Meta afirma que o modelo supera, em algumas tarefas, produtos comparáveis da Anthropic e da OpenAI.
A companhia informou que o Muse Wonder teve desempenho superior ao Claude Opus 5.5 e ao Fable 5.1, da Anthropic, e ao GPT-6 Astra, da OpenAI, em testes técnicos de referência. O modelo poderá executar tarefas complexas, como interpretar contratos de aluguel e analisar informações financeiras ou de saúde.
Investimentos e modelo fechado
Desde o ano passado, Zuckerberg comprometeu bilhões de dólares para ampliar a capacidade computacional da Meta, construir centros de dados e contratar pesquisadores. A estratégia busca aproximar a empresa de OpenAI, Anthropic e Google.
O executivo afirmou que a Meta já trabalha no próximo estágio de desenvolvimento e que o avanço dos modelos provavelmente será mais rápido. O Muse Wonder será um modelo fechado, com as versões mais avançadas vendidas diretamente a empresas. A decisão coloca a Meta na disputa por contratos corporativos de inteligência artificial.
A empresa também pretende integrar o novo modelo ao Muse, seu assistente pessoal de IA. O aplicativo usa agentes autônomos para tarefas como comprar mantimentos e reservar viagens. Nos Estados Unidos, tornou-se o aplicativo mais baixado nas lojas da Apple e do Android.
A Meta é avaliada em US$ 1,8 trilhão (R$ 8,98 trilhões). O acesso ao Muse Wonder terá diferentes faixas de preço: US$ 0,20 (R$ 0,99) por milhão de tokens no uso básico e US$ 200 (R$ 998) por mês na versão premium Muse Wonder Full.
Segurança e estratégia
Zuckerberg minimizou os temores de que a inteligência artificial avance além do controle humano. Ele disse acreditar que a tecnologia pode ser desenvolvida com salvaguardas e responsabilidade, e defendeu que cada laboratório cuide da segurança de seus modelos.
O executivo já havia rejeitado pedidos de Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, da OpenAI, por uma desaceleração no desenvolvimento da IA. Ele também participou da elaboração do Acordo sobre Superinteligência da Casa Branca de Donald Trump, que estabelece princípios de autorregulação para o setor.
A Meta prioriza a chamada superinteligência pessoal, voltada a consumidores, enquanto OpenAI e Anthropic buscam desenvolver a inteligência artificial geral, capaz de superar seres humanos na maioria das tarefas. Para Zuckerberg, os modelos avançam em áreas acadêmicas, mas ainda não têm bom senso suficiente para funcionar como assistentes pessoais ideais.
A estratégia da Meta passou a ser mais questionada depois que o Llama 4 ficou aquém das expectativas, em abril de 2025. Como parte da reação, Zuckerberg contratou Alexandr Wang, fundador da Scale AI, para comandar o TBD Lab. O Muse Spark, lançado em abril, ainda ficou atrás dos concorrentes.
O novo modelo tem maior capacidade para programação avançada e para preservar informações relevantes ao longo de diferentes conversas. O lançamento também representa uma mudança em relação à prioridade anterior da empresa para modelos de código aberto, já que o acesso ao Muse Wonder será pago.
A adoção dos assistentes enfrenta obstáculos. A Amazon bloqueou compras feitas por agentes do Muse em seu site. Usuários também acusaram o aplicativo de acessar ou compartilhar informações privadas sem autorização. Em agosto, a Meta concordou em pagar até US$ 18 bilhões (R$ 89,8 bilhões) para encerrar uma disputa judicial com estados americanos relacionada à proteção de crianças e ao vício em redes sociais.
Internamente, a empresa passou por cortes, reestruturações e mudanças entre executivos. Em maio, demitiu 10% da força de trabalho, o equivalente a 8.000 postos. Funcionários também criticaram planos de instalar um software para monitorar movimentos do mouse e pressionamentos de teclas com o objetivo de treinar modelos de IA.



