São Paulo, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Ações de cinco empresas de apostas perdem R$ 228 bilhões em um ano

Flutter, Entain, Betsson, Genius Sports e Sportradar sofreram com revisões de receita, impostos maiores e mudanças regulatórias.

Ações de cinco empresas de apostas perdem R$ 228 bilhões em um ano
Foto: Douglas Magno/AFP

As cinco maiores empresas de apostas online listadas em Bolsa no mundo perderam R$ 228 bilhões em valor de mercado no último ano. O grupo reúne três conglomerados de apostas e duas fornecedoras de odds, os multiplicadores usados em apostas esportivas. Todas têm atuação no Brasil.

Relatórios de bancos de investimento associam a queda das ações a revisões para baixo nas projeções de receita, ao aumento de impostos em estados americanos e no Reino Unido e a mudanças regulatórias na Índia e no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve anunciar nesta sexta-feira (25) a proibição total das apostas online.

Flutter concentra a maior perda

A maior queda entre os conglomerados foi registrada pela Flutter, dona das marcas Betnacional, Betfair e FanDuel. A empresa perdeu US$ 34 bilhões (R$ 178 bilhões) em valor de mercado, em meio à redução dos investimentos e à saída de acionistas relevantes, entre eles o americano Michael Burry.

Na quinta-feira (24), as ações da Flutter recuaram 4,49% e fecharam a US$ 85,95, menor nível desde a listagem da empresa em Nova York. Os papéis continuavam em queda nas negociações após o encerramento do mercado.

Na segunda-feira (21), o banco Rothschild Redburn reduziu de US$ 169 para US$ 119 o preço-alvo da ação. A instituição citou uma revisão de 22% no Ebitda da FanDuel, que equivaleria a uma redução de 7% nos resultados do conglomerado.

A Flutter atribuiu a piora da FanDuel a resultados esportivos desfavoráveis para a banca, ao aumento da carga tributária em Illinois e Nova Jersey e à concorrência. A saída de Amy Howe, então CEO da marca americana, também afetou a percepção dos acionistas.

Em agosto de 2025, a Índia proibiu apostas online, atingindo a operação da Flutter no país, que usava a marca Junglee Games. O governo de Narendra Modi justificou a decisão pelo impacto sobre o orçamento das famílias. A medida reduziu em US$ 561 milhões as receitas do conglomerado em 2025.

No Brasil, a Betnacional patrocina Cruzeiro, Sport Recife e Athletic Club. O presidente Lula também deve anunciar uma medida que inclui a marca entre as plataformas afetadas pela proibição.

Entain e Betsson também recuam

A Entain, dona da SportingBet, perdeu US$ 3,4 bilhões (R$ 17,7 bilhões) em valor de mercado no último ano. A empresa britânica enfrentou redução do grau de investimento por agências de classificação de risco e aumento de impostos no Reino Unido.

A companhia informou prejuízo líquido de 681 milhões de libras no final de 2025. Do total, 488 milhões de libras refletiram o impacto do aumento de impostos no Reino Unido.

Desde agosto, clubes da Premier League não podem ter empresas de apostas como patrocinadoras principais de seus uniformes. O veto permite a presença dessas marcas em espaços considerados menos relevantes, como as mangas. A SportingBet patrocina o Palmeiras e a Libertadores.

A dívida líquida ajustada da Entain chegou a 3,644 bilhões de libras em dezembro de 2025. O nível de alavancagem correspondia a 3,1 vezes o Ebitda. Para enfrentar a situação, os controladores reduziram sua participação acionária.

A sueca Betsson, que opera no Brasil com uma marca de mesmo nome, perdeu US$ 960 milhões em valor de mercado no último ano. As ações recuaram aproximadamente 35% na Bolsa de Estocolmo nos últimos 12 meses, acompanhando a redução das margens operacionais, o aumento das despesas e dificuldades em negócios voltados a outras empresas.

No segundo trimestre de 2026, o lucro da Betsson caiu 41% na comparação anual, para € 29,1 milhões. O balanço do primeiro trimestre de 2026 também apontou impacto negativo na arrecadação da região da Europa Central, Oriental e Ásia Central, levando a uma queda de 14% dos papéis.

Fornecedoras de odds registram prejuízos

As empresas Genius Sports e Sportradar também anunciaram prejuízos líquidos acima do esperado. Apesar do crescimento das receitas em 2026, os gastos com direitos de transmissão e a integração de novas tecnologias reduziram a rentabilidade de curto prazo.

A Sportradar teve queda superior a 22% em abril de 2026, após relatórios de investidores militantes afirmarem que a companhia prestava serviços a operadores de apostas não licenciados em países sancionados, como Rússia e Irã. Acionistas moveram processos judiciais.

A Genius Sports divulgou prejuízo contábil de US$ 0,28 por ação no segundo trimestre de 2026, acima da perda de US$ 0,08 projetada pelo mercado. O resultado foi afetado por despesas financeiras e ajustes relacionados à aquisição da Legend, plataforma de gestão de afiliados que remuneram pessoas pela divulgação de bets nas redes sociais.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.