BRASÍLIA E SÃO PAULO — A medida provisória publicada em 25 de setembro colocou na ilegalidade 85 empresas que operam 185 plataformas de apostas online no Brasil. A decisão ainda precisa ser confirmada pelo Congresso Nacional, já que a MP deve ser convertida em lei em até quatro meses.
As primeiras autorizações para funcionamento foram publicadas em 30 de dezembro de 2024. Desde então, as bets passaram a patrocinar clubes, campeonatos, seleções, eventos de música e festas populares. Dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação indicam que as empresas autorizadas receberam R$ 220,6 bilhões em depósitos de jogadores em 2025. Desse total, R$ 36,9 bilhões ficaram com as plataformas como receita correspondente às perdas dos apostadores.
Empresas com maior participação
A Betano, controlada pela Kaizen Gaming Group, de Malta, aparece com participação de mercado de 23%. A empresa foi responsável pelo primeiro requerimento de operação apresentado à Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda em 2024. No país, deu seu nome à Copa do Brasil, rebatizada como Copa Betano do Brasil.
A Bet365 tem 18% do mercado. A companhia é controlada por Denise Coates, sua presidente-executiva, que comprou a empresa do eBay em 2000. Em 2025, ela foi apontada como a mulher mais rica do Reino Unido, com patrimônio estimado em US$ 7,9 bilhões, cerca de R$ 44,15 bi.
Com 8% de participação, a Superbet é controlada pela SB Lux Brazil, sediada em Luxemburgo. A empresa recebeu a primeira autorização para operar legalmente no Brasil e mantém patrocínios com São Paulo, Fluminense, America e a Kings League.
A Sportingbet, integrante da britânica Entain, tem 6% do mercado e é representada no Brasil pela Ventmear. A empresa patrocina Palmeiras, Vasco, Libertadores e NBA. A Betnacional, ligada à Flutter, aparece com 4% e mantém acordos com Cruzeiro, Sport Recife e Athletic Club.
Também com 4% estão Esportes da Sorte e Blaze. A primeira foi fundada em Recife por Darwin Henrique da Silva Filho e patrocina Corinthians, Ceará e Náutico. A Blaze tem Neymar Jr. como garoto-propaganda, atua no Brasil por meio da Foggo Entertainment e já patrocinou o Santos FC.
A Pixbet tem 3% do mercado. A licença da empresa foi suspensa em agosto deste ano por falta de mecanismos de monitoramento de jogadores compulsivos e pela não entrega de documentos ao Ministério da Fazenda. A companhia pertence a Ernildo Junior e Diomar Tadeu Dantas de Farias.
Outras autorizadas
Vaidebet tem 2% do mercado e patrocina o Remo. KTO patrocinou a CazéTV na transmissão oficial da Copa do Mundo da Fifa 2026, além do festival Planeta Atlântida e da Chapecoense. A Novibet patrocina o Santos, enquanto a Estrela Bet mantém parceria com o Fluminense.
As demais empresas autorizadas dividem o restante do mercado. Entre elas está a Boa Lion, joint venture da rede Globo com o grupo MGM, que opera no Brasil a BetMGM. Em junho deste ano, a empresa comprou do apresentador Luciano Huck a Bingão do Brasil, em negociação aprovada pelo Cade.



