A economia moderna pode oferecer uma variedade sem precedentes e, ao mesmo tempo, produzir ambientes cada vez mais semelhantes. Marcas, cafés, imóveis e conteúdos digitais seguem padrões que se repetem em diferentes lugares, enquanto consumidores e empresas alternam entre testar novidades e repetir fórmulas conhecidas.
Em The Origin of Wealth (2006), o economista e teórico da complexidade Eric Beinhocker estimou que uma grande economia urbana como Nova York reunia pelo menos 10 bilhões de produtos e serviços distintos. Uma sociedade tradicional de caçadores-coletores, em comparação, teria acesso a algumas centenas.
O efeito da personalização
A cientista de dados Lauren Leek relatou essa sensação ao procurar um apartamento para alugar em Haia. Nos imóveis que apareciam na tela, ela identificava os mesmos elementos: piso de parquet restaurado, torneiras em preto fosco e plantas com aparência selvagem. A repetição também surgia nos cafés, com flat white, tijolos aparentes e leite de aveia.
Para Leek, os modelos pareciam ajustados ao perfil de quem os procurava. Uma explicação é que ela estivesse dentro de uma bolha de personalização, recebendo opções alinhadas ao que já demonstrava querer. Outra possibilidade é que os algoritmos não apenas filtrem o mundo, mas também ajudem a torná-lo mais uniforme.
O mecanismo pode ser resumido assim: prever o que as pessoas querem, oferecer mais opções semelhantes, observar as escolhas e atualizar a previsão. Esse processo vale para plataformas como YouTube e Spotify, mas também pode orientar decisões físicas, como os locais escolhidos por redes de cafés e restaurantes.
Se os algoritmos selecionam ruas com características parecidas para instalar negócios semelhantes, a previsão fica mais fácil à medida que os lugares se tornam mais uniformes. O resultado pode ser um ciclo de retroalimentação: recomendações semelhantes produzem escolhas semelhantes, que reforçam recomendações ainda mais parecidas.
O risco de repetir o que funciona
A reprodução automática de vídeos ilustra o problema. Se cada sugestão levasse apenas a um conteúdo um pouco mais popular e parecido com o anterior, a sequência poderia terminar em um único padrão repetido indefinidamente, como Baby Shark.
As plataformas tentam evitar tanto a uniformidade quanto o movimento contrário, em que as recomendações se tornam progressivamente mais provocativas e extremas. Ainda assim, algoritmos podem ser modificados quando não entregam os resultados esperados.
O dilema também está presente fora da tecnologia. Empresas precisam decidir entre explorar opções desconhecidas e aproveitar uma fórmula que já demonstrou funcionar. Para o consumidor, escolher McDonald’s ou Blank Street, assistir a mais um filme da Marvel ou procurar um bistrô independente envolve a mesma troca: a segurança de uma qualidade mínima contra a possibilidade de encontrar algo melhor —ou pior.
O tempo disponível influencia essa decisão. Em uma visita de três dias, voltar a um restaurante conhecido pode fazer sentido. Para quem permanecer em uma cidade por meses ou anos, ampliar a busca pode valer a pena, mesmo com o risco de encontrar experiências ruins.
O custo do teste também pesa. Aspirantes a escritores podem experimentar formatos no Substack sem assumir o compromisso de produzir um livro completo. Já autores como Dan Brown e Sarah J. Maas podem continuar em um modelo de publicação que os leitores já demonstraram aceitar.
A economia pode não ter ficado menos variada. É possível que a impressão de uniformidade venha de uma mudança no equilíbrio entre experimentar e repetir, tanto nas empresas quanto entre os consumidores. Essa mudança não parece decorrer de um aumento do custo da experimentação nem de horizontes de tempo mais curtos: as taxas de juros reais continuam abaixo dos níveis das décadas de 1980 e 1990.
Uma explicação mais simples é que marcas conhecidas e estilos padronizados estejam se espalhando porque correspondem ao que as pessoas querem. A variedade continua disponível, mas aproveitá-la exige disposição para abandonar opções previsíveis e aceitar o risco de experimentar.



