BANGALORE — A startup Dognosis desenvolve uma ferramenta experimental que usa cães e inteligência artificial para identificar sinais de câncer a partir do hálito humano. A empresa, sediada em Bangalore, pretende fazer o lançamento comercial do método em 2027.
A cadela Chloe, de quatro anos, participa dos testes em uma fazenda nos arredores da cidade. Ela usa um capacete e uma coleira impressos em 3D, equipados com sensores. A tecnologia acompanha a atividade cerebral, a respiração e a linguagem corporal do animal e transforma suas reações aos odores em dados.
“Eles podem farejar mil vezes por hora”, diz Akash Kulgod, 26, cofundador da Dognosis. “Cada farejada pode avaliar uma amostra.”
Como funciona o teste
O paciente respira em uma máscara de algodão por cerca de 10 minutos. Depois, o material é selado em um saco e levado ao laboratório, onde um cão fareja a amostra. A hipótese é que doenças alterem as substâncias químicas liberadas pelo corpo, produzindo odores característicos.
Os cães têm aproximadamente 300 milhões de receptores olfativos, enquanto os humanos possuem cerca de 5 milhões. Estudos globais indicam que eles podem ser treinados para identificar câncer e outras doenças, como Parkinson e Covid-19.
A Dognosis afirma ter encontrado uma taxa de precisão de 90% na identificação de sete tipos de câncer em um estudo com cerca de 1.500 participantes de seis hospitais de Karnataka. A pesquisa foi publicada na revista Journal of Clinical Oncology. A empresa também trabalha com instituições médicas governamentais.
A detecção precoce é considerada importante para a sobrevivência ao câncer, mas muitos pacientes na Índia recebem o diagnóstico quando a doença já está em estágio avançado. A proposta é que os cães funcionem como uma etapa inicial, simples e acessível, antes da realização de exames mais aprofundados.
Especialistas de Bangalore que não participam do projeto demonstraram cautela. Santhosh Kumar Devadas, chefe de Oncologia do Hospital Memorial Ramaiah, afirmou: “O estudo é promissor; é um sinal inicial”. Para ele, são necessários grupos maiores antes de conclusões definitivas. Neelesh Reddy, consultor de Oncologia dos hospitais de Manipal, disse que apenas o tempo mostrará a utilidade da tecnologia para pacientes reais.



