A Apple deve apresentar na quarta-feira (9) seu primeiro iPhone dobrável, com preço estimado acima de US$ 2.000. John Ternus fará a apresentação em sua segunda semana como CEO, após assumir o cargo de Tim Cook, que deixará a posição.
O aparelho está em desenvolvimento há pelo menos oito anos e representa uma aposta em um segmento que ainda corresponde a cerca de 2% das vendas globais de smartphones. A companhia também deve elevar os preços de toda a linha do iPhone e adiar para o primeiro semestre do próximo ano o lançamento do modelo básico do iPhone 18.
A Apple enfrenta pressão de custos em sua cadeia de suprimentos, agravada pela escassez de componentes enquanto data centers absorvem peças em grande escala, sobretudo chips de memória. A empresa já aumentou os preços de Macs e iPads. O desafio será convencer os consumidores a pagar mais ou aceitar uma redução de suas margens.
Aposta em um mercado restrito
O segmento de dobráveis cresceu após Huawei e Samsung lançarem seus primeiros produtos, em 2019, mas perdeu ritmo desde então. A Samsung enfrentou problemas técnicos com telas que formavam bolhas e ondulações, enquanto a Huawei adiou seu lançamento naquele ano.
A Apple trabalha com tecnologia dobrável há anos. Uma patente de 2011 mostra o desenvolvimento de um mecanismo de dobradiça, e equipes de engenharia e telas já realizavam testes em 2018. Avanços recentes aumentaram a durabilidade das telas e reduziram os custos de fabricação.
Analistas da International Data Corporation projetam crescimento anual de cerca de 12% nas vendas globais de dobráveis e estimam que a Apple conquiste 40% desse mercado até 2027. David Vogt, do UBS, espera que a empresa venda pelo menos 10 milhões de unidades no primeiro ano, aproximadamente o mesmo volume vendido pela Samsung nos últimos 12 meses.
As vendas do novo aparelho seriam uma pequena parcela dos cerca de 250 milhões de iPhones distribuídos globalmente pela Apple, mas poderiam elevar o preço médio dos dispositivos. Edison Lee, da Jefferies, afirmou que a apresentação deve iniciar um ciclo de três a cinco anos de lançamentos planejados antes da chegada de Ternus ao comando da empresa.
O desempenho do dobrável tende a ser acompanhado com atenção na China, onde a Huawei teve sucesso e a Apple vem recuperando participação no mercado de smartphones.



