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Associações da Bahia ligadas a ex-sócio do Master tinham carteira de R$ 1 bilhão

Asteba e Asseba reuniam mais de 103 mil autorizações de desconto em contracheques de servidores baianos em 2025, segundo investigação.

Associações da Bahia ligadas a ex-sócio do Master tinham carteira de R$ 1 bilhão
Foto: Vaner Casaes/ALBA

Duas associações de servidores da Bahia relacionadas a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, reuniam mais de 103 mil autorizações de desconto em contracheques de servidores baianos em 2025. A investigação estima que as carteiras somavam R$ 1 bilhão.

As operações aparecem no inquérito da Polícia Federal sobre fraudes no Banco Master. O sigilo dos documentos foi suspenso nesta quinta-feira (10), por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

A Asteba e a Asseba foram alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal em novembro de 2025. Augusto Lima foi preso, depois solto, e passou a usar tornozeleira eletrônica.

Descontos e créditos atribuídos ao Master

Em 2025, a Asteba tinha 52.176 autorizações de desconto, enquanto a Asseba registrava 51.111. Segundo a investigação, o valor estimado das carteiras chegava a R$ 1 bilhão — abaixo dos R$ 6,7 bilhões em créditos que o Banco Master atribuiu inicialmente às duas entidades.

O Master informou ao Banco Central, em 25 de março de 2025, que as associações estavam na origem de créditos consignados incluídos em uma carteira de R$ 6,7 bilhões vendida ao BRB, o Banco de Brasília. A autoridade monetária questionou a explicação depois de dados do Governo da Bahia indicarem que os descontos nos contracheques correspondiam a mensalidades e serviços associativos, e não a empréstimos consignados.

Os serviços oferecidos pelas entidades incluíam planos odontológicos, compra de celulares e assistência jurídica. As operações apresentadas ao Banco Central envolviam CPFs de diferentes estados, enquanto a movimentação financeira das associações não era compatível com o volume das cessões.

Após os questionamentos, o Master passou a atribuir os créditos à empresa Tirreno. Os investigadores também apontaram inconsistências nessa versão: o Banco Central não encontrou movimentação financeira compatível com uma operação desse porte, e o único relacionamento da empresa no sistema financeiro era com o próprio Master.

Mesmo com as inconsistências apontadas, as carteiras foram revendidas pelo Master ao BRB entre janeiro e maio de 2025. O valor da operação foi de R$ 12,2 bilhões, incluindo um prêmio de R$ 5,5 bilhões. Uma auditoria estimou em pelo menos R$ 5 bilhões o prejuízo ao banco público com a compra dos ativos.

Relação com Augusto Lima

O Ministério Público Federal também investiga a relação entre Lima e as duas associações. De acordo com relatório do MPF, Asteba e Asseba foram criadas e controladas por ele.

As entidades usavam o mesmo email de contato da Terra Firme da Bahia, empresa de propriedade exclusiva de Lima. Uma delas também compartilhava o telefone da companhia. Lima presidiu a Asteba e, depois de deixar formalmente o cargo em 2008, teria continuado a controlá-la por meio de terceiros. O documento ainda afirma que ele aparecia como procurador da Asseba, com autorização para movimentar recursos.

A defesa de Augusto Lima rejeita as acusações. Os advogados afirmam que as alegações não se sustentam diante dos elementos reunidos na investigação e que o Banco Master prestou informação equivocada ao Banco Central. Também dizem que nem Lima nem as associações autorizaram ou assinaram documentos que vinculassem as entidades a créditos do Master.

A defesa sustenta ainda que Lima mantinha contrato regular de prestação de serviços com as associações, mas não tinha procuração nem movimentava as contas. Os advogados afirmam que ele deixou a sociedade e a direção do Banco Master em 28 de maio de 2024, conforme documentos do próprio Banco Central. A operação policial ocorreu em 18 de novembro de 2025.

“A defesa reafirma que não há fundamento para atribuir a Augusto Lima os ilícitos mencionados”, informou a nota. As associações foram procuradas, mas a Asteba não apresentou resposta da direção e a Asseba não atendeu às ligações. A Secretaria de Administração da Bahia informou que não se manifestaria sobre os contratos de cooperação com as entidades.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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