São Paulo, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Quatro bancos vencem disputa para mobilizar quase R$ 50 bilhões em projetos climáticos

Bradesco, HSBC, Itaú e Santander reunirão recursos públicos e privados para fundos e linhas de crédito voltados à transição ecológica.

Quatro bancos vencem disputa para mobilizar quase R$ 50 bilhões em projetos climáticos

Bradesco, HSBC, Itaú e Santander venceram a concorrência do Eco Invest Brasil para organizar fundos de investimento e linhas de crédito destinados a projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa e adaptação à mudança do clima. As propostas somam R$ 13,2 bilhões em recursos públicos e R$ 36,75 bilhões em capital privado a ser mobilizado, totalizando quase R$ 50 bilhões.

O resultado da disputa, realizada em 15 de setembro pelo Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional, ainda precisa ser homologado pelo comitê executivo do programa. Ao todo, seis bancos apresentaram 23 propostas. Banco do Brasil e Citibank participaram, mas não venceram nenhuma área.

Áreas e valores

O Bradesco venceu em fertilizantes verdes e proteínas alternativas; reaproveitamento de resíduos minerais e industriais; e biomateriais e química verde. Nessas três áreas, o banco terá R$ 7,5 bilhões em recursos públicos e se comprometeu a mobilizar R$ 21 bilhões privados, chegando a R$ 28,5 bilhões.

O HSBC ficou com combustíveis verdes, biogás e biometano. Sua proposta para essa área prevê R$ 1,6 bilhão público e R$ 3,6 bilhões privados, em um total de R$ 5,2 bilhões. Os recursos poderão financiar novos combustíveis e a produção de gás a partir de matéria orgânica, como resíduos agrícolas, dejetos animais e lixo.

O Santander venceu em beneficiamento de minerais críticos, baterias e mobilidade elétrica, com R$ 1,6 bilhão público e R$ 4,9 bilhões privados. Na linha de crédito, o banco se comprometeu a reunir R$ 2 bilhões para empréstimos, formados por R$ 100 milhões públicos e R$ 1,9 bilhão privado.

O Itaú liderou a área de automação e inteligência artificial aplicada à produção. A proposta prevê R$ 2,5 bilhões públicos e R$ 7,25 bilhões privados, em um total de R$ 9,75 bilhões.

Cada uma das seis propostas vencedoras prevê R$ 1,5 bilhão público para um fundo de inovação e a mobilização de R$ 3 bilhões privados. Com isso, os seis fundos terão R$ 27 bilhões, sendo R$ 9 bilhões públicos e R$ 18 bilhões privados. As linhas de crédito somam R$ 22,95 bilhões, dos quais R$ 4,2 bilhões são públicos e R$ 18,75 bilhões privados.

Como funcionará o programa

O Eco Invest Brasil usa recursos públicos do Fundo Clima para atrair capital privado a projetos ligados à transformação ecológica. Os fundos poderão investir em empresas e projetos em fases iniciais ou intermediárias de desenvolvimento tecnológico. A outra frente será formada por linhas de crédito para empresas interessadas.

Os bancos vencedores deverão reunir investidores e financiar projetos nas seis áreas definidas. A escolha das empresas e dos projetos apoiados ocorrerá depois da formalização do resultado. Os valores privados apresentados são compromissos de captação, e não necessariamente recursos que sairão integralmente do caixa dos bancos.

Nos fundos, entre 15% e 45% do capital privado deverá vir do exterior. Nas linhas de crédito, a participação estrangeira terá de ser de pelo menos 60% da parcela privada.

Uma das fontes públicas é a emissão de títulos soberanos sustentáveis pelo Tesouro. O governo capta recursos com esses papéis, assume uma dívida com pagamento de juros e direciona o dinheiro ao fundo.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que coordena o programa com o Ministério da Fazenda, afirmou que o Eco Invest Brasil é um dos principais instrumentos do Fundo Clima para financiar a transição ecológica do país. A pasta também informou que esta é a quinta etapa do programa e que, nos quatro leilões anteriores, as propostas homologadas somaram mais de R$ 140 bilhões, em diferentes estágios de contratação e execução.

A rodada também prevê recursos não reembolsáveis para pesquisa aplicada com universidades e instituições de ciência e tecnologia. O Ministério da Fazenda declarou que ainda não comentaria os dados porque a homologação não foi concluída e as instituições financeiras participantes ainda poderiam manifestar interesse nas condições apresentadas.

Ainda não foram detalhadas as taxas de juros, os prazos de pagamento, o período de carência, as garantias exigidas das empresas nem a data de disponibilidade do crédito.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.