A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) decidiu adiar o detalhamento de suas propostas econômicas e concentrar a atuação política na crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia, segundo integrantes da equipe, busca evitar desgastes com o eleitorado antes do primeiro turno das eleições.
O coordenador político da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que Flávio já definiu um grupo que poderá acompanhá-lo em caso de vitória, mas que ainda avalia se deve antecipar os nomes de uma eventual equipe econômica. Para Marinho, medidas específicas devem ser apresentadas depois da eleição.
A menos de dez dias do primeiro turno, a campanha divulgou diretrizes gerais, como a criação de uma nova regra fiscal e um corte amplo em despesas e impostos. As propostas, porém, não explicam como seriam implementadas. Entre as ideias defendidas por integrantes da equipe estão um ajuste fiscal equivalente a 1,5% do PIB e um novo teto de gastos baseado na relação entre dívida e PIB.
Daniella Marques, coordenadora-geral do plano de governo e ex-presidente da Caixa no governo Jair Bolsonaro, afirmou que o detalhamento dependerá do Congresso. “Quem vai fazer esse detalhamento vai ser o Congresso”, disse.
Equipe econômica
O núcleo econômico é comandado por Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia de Jair Bolsonaro. O grupo realiza reuniões semanais e participa de encontros com empresários e entidades do setor produtivo.
A equipe tem pelo menos outros 12 integrantes. Entre eles estão Luiz Felipe Trevisan, ex-diretor do Itaú BBA, e Alexandre Messa, que ocupou cargos de chefia no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e no antigo Ministério da Economia. Marcelo Kayath, ex-banqueiro, é citado como possível nome para a Fazenda.
A campanha afirma que Flávio está comprometido com o controle do orçamento público. Marinho usa como referência o comportamento da dívida durante o governo de Jair Bolsonaro: “Nós recebemos com 75% e entregamos com 71%”.
No início do ano, propostas fiscais associadas à campanha provocaram reação negativa. Entre elas estavam a desvinculação das despesas de saúde do mínimo constitucional de 15% da receita corrente líquida e uma mudança semelhante na educação, hoje vinculada a 18% da receita líquida de impostos. Também foi avaliada a possibilidade de separar a política de valorização do salário mínimo dos benefícios da Previdência, o que limitaria os reajustes de aposentados e pensionistas à inflação.
Flávio negou que essas mudanças estivessem em análise, enquanto Daniella não descartou as medidas em entrevistas. A coordenadora também foi criticada após classificar o presidente da Argentina, Javier Milei, como um exemplo para o Brasil.
O candidato já declarou apoio à privatização de estatais, mas não especificou quais empresas seriam incluídas. Segundo Daniella, os Correios não fariam parte desse plano.
A campanha afirma que o plano de governo apresenta diretrizes para reorganizar a economia, reduzir o peso do Estado e enfrentar o aumento de impostos, a inflação e o encarecimento dos alimentos. O detalhamento, diz a equipe, será feito durante a transição.
Enquanto isso, a campanha de Lula passou a questionar a viabilidade das medidas anunciadas por Flávio, incluindo a promessa de reduzir o preço dos alimentos. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, os petistas afirmam que o plano de Flávio tem 21 mil palavras, mas não menciona salário mínimo, Pé-de-Meia ou Minha Casa Minha Vida.



