Um grupo de 98 empresários, tributaristas, advogados, economistas e políticos enviou aos candidatos à Presidência nas eleições de 2026 uma carta em defesa da continuidade da implementação da reforma tributária sobre o consumo.
O documento afirma que uma eventual interrupção provocaria insegurança para empresas, União, estados e municípios que já adotam mudanças e destinam recursos à adaptação ao novo regime. Os signatários também dizem que divergências sobre características do modelo não devem servir para reabrir a discussão ou interromper a execução da reforma.
“Convencidos de que estamos todos unidos em buscar o melhor para o Brasil, pedimos respeitosamente seu apoio para a continuidade da implementação da reforma tributária do consumo”, diz a carta.
Argumentos dos signatários
O grupo classifica a reforma aprovada como um avanço institucional capaz de corrigir distorções que prejudicam a produtividade, a competitividade e o potencial de crescimento do país. A carta reconhece a existência de custos de transição, mas defende que o debate sobre aperfeiçoamentos ocorra durante a implementação.
Os signatários afirmam ainda que a mudança é uma conquista do Estado brasileiro, e não de um governo ou partido específico. Também destacam inovações viabilizadas pelo avanço tecnológico na gestão de documentos fiscais eletrônicos e dos meios eletrônicos de pagamento.
Isaías Coelho, pesquisador do Núcleo de Estudos Fiscais da FGV Direito de São Paulo e um dos organizadores do movimento, disse que há ruídos no debate e que candidatos vêm adotando um discurso negativo sobre a reforma. Segundo ele, todos os presidenciáveis concordaram em examinar o assunto.
Candidatos citados
A elaboração da carta começou depois que candidatos passaram a defender a revogação, o adiamento de prazos ou ajustes na reforma. O documento não identifica nominalmente os candidatos que motivaram a iniciativa.
Flávio Bolsonaro (PL) foi um dos primeiros a defender a suspensão, em maio, quando ainda era pré-candidato. Em entrevista ao grupo ND, de Santa Catarina, disse que o texto aprovado pelo Congresso aumentou a carga de impostos para diversos setores, especialmente o de serviços. Daniella Marques, assessora econômica de sua campanha e apontada como uma das favoritas ao cargo de ministra em caso de eleição, também defendeu uma pausa para reestruturar o texto.
Augusto Cury (Avante) defendeu a revisão de pontos da reforma. Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, afirmou que a mudança deveria ser profundamente modificada e revisada caso fosse eleito. Ele atuou contra a aprovação durante a votação da emenda constitucional no Congresso.
Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, propôs em seu plano de governo que não sejam criadas complexidades no texto, sem indicar uma reversão da reforma em curso.
Signatários
Entre os empresários que assinam a carta estão Jorge Gerdau Johannpeter, Horácio Lafer Piva, José Ricardo Roriz Coelho, Pedro Passos, Pedro Wongtschowski, Synésio Batista da Costa e Josué Gomes da Silva. O grupo de economistas inclui Arminio Fraga, José Roberto Mendonça de Barros, Ana Paula Vescovi, Alexandre Schwartsman, Ana Carla Abrão, Fábio Giambiagi, Felipe Salto, Paulo Tafner, Zeina Latif, Samuel Pessôa, Silvia Mattos e Cristiane Alkmin Schmidt.
Também assinam os ex-ministros Maílson da Nóbrega, Martus Tavares e Nelson Machado, além do ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia. Bernard Appy, ex-secretário extraordinário da reforma tributária e um dos formuladores da proposta, está entre os signatários, assim como Vanessa Rahal Canado, ex-assessora especial do ex-ministro da Economia Paulo Guedes para assuntos relacionados à reforma.



