O petróleo Brent, referência mundial, voltou a superar US$ 100 em meio à intensificação dos confrontos entre os Estados Unidos e o Irã. A cotação alcançou US$ 100,15 às 4h15 (horário de Brasília), o maior nível desde 25 de maio, quando o barril havia chegado a US$ 100,73.
A máxima do dia ocorreu às 13h, com alta de 3,75%, a US$ 101,58. O valor foi o mais elevado desde 22 de maio, quando o barril era negociado a US$ 102,77. Às 14h55, o Brent recuava para US$ 100,86, ainda com valorização de 3%.
No mesmo horário, o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subia 2,92%, para US$ 95,75. As cotações em reais informadas eram de R$ 510,91 para o Brent a US$ 100,15, R$ 518,20 para o pico de US$ 101,58, R$ 514,53 para o barril a US$ 100,86 e R$ 488,46 para o WTI.
A alta ocorreu após novos ataques na região. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido dez navios e lançado mísseis balísticos contra uma base na Jordânia usada pelas Forças Armadas dos EUA. A ação foi apresentada como resposta aos ataques americanos contra cinco petroleiros iranianos na terça-feira (8).
O Centcom classificou os bombardeios como reação a ataques iranianos contra um navio de guerra americano. As autoridades dos Estados Unidos informaram que nenhum norte-americano ficou ferido. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou: “O Irã continua tentando atacar navios da Marinha dos EUA e, cada vez que fizerem isso ou tentarem fazer isso, perderão petroleiros”.
Segundo o braço militar do regime iraniano, dez embarcações foram atacadas, incluindo duas americanas. Os navios estariam tentando atravessar uma área considerada proibida e insegura do estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra.
O Irã também ameaçou atingir petroleiros nos portos do Kuwait e do Bahrein. Os houthis, aliados dos iranianos, atacaram cidades da Arábia Saudita e ameaçaram embarcações no Mar Vermelho, rota alternativa ao estreito de Hormuz.
Bancos como Goldman Sachs, Bank of America e HSBC elevaram as projeções para o petróleo bruto. As negociações de paz estão praticamente estagnadas há três semanas, enquanto o transporte marítimo pelo estreito permanece abaixo do pico anterior à guerra e os estoques diminuíram após seis meses de conflito.
Para Kathleen Brooks, analista da XTB, a marca de US$ 100 tem peso psicológico nos mercados e pode pressionar bancos centrais a elevar juros para conter a inflação. Dennis Kissler, da BOK Financial, afirmou que os fundamentos de curto prazo apontam para uma oferta mais restrita.



