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Contrato entre Blaze e Virginia envolve cerca de R$ 100 milhões

Documentos entregues à Justiça detalham pagamentos, comissão de agência e modelo de remuneração da influenciadora pela plataforma.

Contrato entre Blaze e Virginia envolve cerca de R$ 100 milhões
Foto: Gabriela Biló -13.mai.25/Folhapress

A Blaze entregou à Justiça do Distrito Federal detalhes do contrato com a influenciadora Virginia Fonseca. Pessoas com acesso ao documento afirmam que os repasses a duas empresas ligadas a Virginia e a comissão paga a uma agência estrangeira somam cerca de R$ 100 milhões.

A petição foi apresentada em 20 de agosto, um dia antes de Virginia anunciar o encerramento do contrato com a plataforma. As cifras foram ocultadas na contestação apresentada pela empresa em uma ação civil pública do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que acusa a Blaze de práticas abusivas.

A Foggo Entertainment, responsável pela marca, afirmou que os pagamentos foram feitos diretamente às empresas brasileiras indicadas no contrato, com emissão de notas fiscais e cumprimento da legislação tributária e regulatória. A assessoria de Virginia declarou que os pagamentos ocorreram no Brasil sob as mesmas condições.

Como eram os pagamentos

Segundo a Blaze, Virginia recebeu um valor inicial na assinatura do contrato e parcelas mensais fixas por 18 meses, a partir de julho de 2024. Os repasses foram destinados à Talismã, empresa de propriedade da influenciadora, a uma empresa individual dela e à Viral Nation.

Parte dos valores correspondeu à comissão da Viral Nation, que tem sede em Barbados e uma subsidiária no Brasil. Fábio Marcondes Gonçalves, diretor responsável pelo contrato, disse que a agência apenas intermediou contratos publicitários entre a Blaze e influenciadores.

A defesa de Virginia nega que ela recebesse comissão vinculada às perdas dos apostadores, chamada de “taxa da desgraça” na CPI das Bets. Os advogados também afirmam que um aditivo relacionado a ações promocionais durante a Copa do Mundo da Fifa não deve ser confundido com remuneração por desempenho.

O contrato previa, entre outras obrigações, a publicação de um story sobre o início da parceria. A orientação seguia um padrão semelhante ao adotado pelo jogador Neymar Jr. antes do mundial de futebol. O atleta não comenta sua relação com a empresa por causa de cláusulas de confidencialidade.

Investigação e operação da Blaze

A 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor acusa a plataforma de usar padrões enganosos e técnicas de gamificação para expor consumidores vulneráveis ao risco. Os autos reúnem publicações de Virginia e materiais de marketing interno distribuídos a jogadores cadastrados. Os promotores obtiveram esses materiais ao se infiltrarem nas plataformas de apostas e pediram acesso aos contratos entre a empresa e a influenciadora.

A Blaze contrata influenciadores desde 2021 por meio da Viral Nation, que cobra uma taxa de intermediação de 15%. A agência também identifica e contrata criadores, acompanha entregas publicitárias e produz relatórios com dados de visualizações, engajamento e curtidas.

Os documentos indicam que a marca foi fundada pelo holandês Nick van Gorsel e pelo americano Nicholas Beugg. As operações ficam em Malta. Antes da regulação, as licenças de apostas eram emitidas pelo governo de Curaçao por meio da Prolific Trade N.V.

Os autos também apontam pagamentos internacionais feitos pela instituição financeira cipriota Horangi Trading. A investigação afastou a hipótese de que Erick Loth Teixeira, responsável pelo registro do endereço blaze.com.br, fosse o proprietário da plataforma.

Nos primeiros 11 meses do ano passado, a Blaze registrou lucro de R$ 361 milhões, com margem de 33%, após despesas operacionais e pagamentos a fornecedores. Desse total, R$ 350 milhões foram enviados como dividendos à sede no exterior. O faturamento antes dos impostos foi de R$ 1,9 bilhão, a partir de depósitos próximos de R$ 11 bilhões. A receita bruta informada nos autos ficou em torno de R$ 1,4 bilhão após o desconto dos bônus oferecidos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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