São Paulo, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,22 · Euro R$ 5,92 · Ibovespa 183.828 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Economia

Governo reduz bloqueio no Orçamento, mas contingencia R$ 13,6 bilhões

Medidas refletem queda nas receitas projetadas e aumento de despesas obrigatórias, segundo relatório bimestral do governo.

Governo reduz bloqueio no Orçamento, mas contingencia R$ 13,6 bilhões
Foto: Folhapress

O governo Lula anunciou nesta quinta-feira (24) a redução do bloqueio de verbas no Orçamento para R$ 16,1 bilhões. O valor representa recursos que permanecem impedidos de ser usados pelos ministérios para compensar a frustração de receitas e novas despesas.

Antes do anúncio, os recursos bloqueados somavam R$ 17,9 bilhões. O governo liberou R$ 15,5 bilhões porque passou a projetar gastos menores com a Previdência, a folha de salários e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Pela primeira vez no ano, a equipe econômica também recorreu ao contingenciamento, mecanismo usado quando há risco para o cumprimento da meta fiscal. A medida reteve R$ 13,6 bilhões, valor correspondente ao déficit primário projetado nas novas estimativas.

Receitas e despesas

A previsão anterior era de superávit primário de R$ 10,8 bilhões. As projeções atualizadas, porém, passaram a indicar déficit de R$ 13,6 bilhões. A mudança ocorreu em meio à expectativa de arrecadação menor com a taxação de dividendos e com dividendos de estatais, cuja receita deve ficar R$ 3,9 bilhões abaixo do previsto.

O Tribunal de Contas da União havia emitido um alerta sobre a estimativa de arrecadação com dividendos. O governo esperava obter quase R$ 29 bilhões com essa fonte, mas a receita realizada estava abaixo do projetado.

Também houve revisão da previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), de 2,27% para 2,02%. A redução afeta as projeções para o conjunto das receitas.

O relatório bimestral de receitas e despesas incluiu ainda o impacto do reajuste do Bolsa Família, que elevará as despesas obrigatórias em R$ 5,8 bilhões. O repasse mínimo por família passou de R$ 600 para R$ 691.

A equipe econômica também considerou os custos da subvenção ao diesel. Cada R$ 1 de subsídio ao preço do combustível representa cerca de R$ 5 bilhões por mês. A despesa é feita por crédito extraordinário, que fica fora do teto de gastos, mas continua sendo contabilizada na meta de resultado primário.

A meta fiscal deste ano prevê superávit de 0,25% do PIB, equivalente a R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal permite uma variação negativa de 0,25% do produto, de modo que a meta é considerada cumprida quando o resultado primário chega a zero.

O rombo total projetado para as contas públicas é de R$ 80,9 bilhões. O governo pode descontar desse valor despesas como precatórios, gastos com defesa e despesas de créditos extraordinários, incluindo a subvenção aos combustíveis.

Mesmo com essas deduções, o resultado efetivo é usado para avaliar a dívida pública. Ela alcançou 82,5% do PIB em julho, maior nível em cinco anos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.