O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prepara a inclusão de uma estimativa da comercialização de drogas ilícitas no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB). Os primeiros resultados da nova metodologia estão previstos para 2028.
A mudança fará parte da revisão estrutural do Sistema de Contas Nacionais (SCN), realizada pelo instituto aproximadamente a cada 10 anos. O objetivo é registrar uma atividade econômica que movimenta dinheiro e evitar que parte da produção, da renda e dos gastos realizados no país fique fora das estatísticas.
A inclusão não significa que o tráfico de drogas será considerado legal nem que o IBGE passará a medir crimes em geral. Nas Contas Nacionais, o critério não é apenas a autorização ou a proibição de uma atividade. Regras internacionais permitem incluir transações econômicas voluntárias entre comprador e vendedor mesmo quando o produto ou serviço comercializado é ilegal.
Por que incluir uma atividade ilegal
O IBGE começou a discutir formas de estimar esse mercado em 2019 e realizou uma primeira estimativa-teste em 2021. O instituto se baseia em manuais internacionais, como o System of National Accounts (SNA), publicado pela ONU, e o Handbook on the compilation of statistics on illegal economic activities in national accounts and balance of payments.
A exclusão completa dessas operações pode gerar distorções em outras partes das estatísticas. Um exemplo é a poupança das famílias: se o gasto com um produto ilegal não for registrado, as contas podem indicar que o dinheiro permaneceu com a família, embora tenha sido usado em uma compra. Isso pode superestimar a poupança e criar inconsistências entre as contas econômicas.
O Reino Unido passou a incluir estimativas sobre drogas ilícitas nas Contas Nacionais em 2014. França, Alemanha, Suécia, Holanda, Itália, Espanha e Hungria também adotam a metodologia europeia.
O IBGE informou que incluirá a comercialização de drogas ilícitas no PIB. Os materiais internacionais usados pelo instituto, porém, tratam de três tipos de atividades ilícitas: drogas, prostituição e contrabando. O IBGE não explicou se o cálculo brasileiro abrangerá apenas drogas ou também as outras duas atividades.
Como será feita a estimativa
O cálculo não deve partir apenas do volume de drogas apreendido pela polícia. A metodologia internacional recomenda começar principalmente pela demanda, estimando quanto é consumido. A produção e a venda são difíceis de observar diretamente porque os envolvidos têm incentivo para esconder as atividades. Já os dados sobre consumo podem ser obtidos por pesquisas e outras estatísticas disponíveis.
De forma simplificada, a estimativa considera o número de usuários, o consumo médio por usuário e o preço de venda. Esses elementos permitem calcular o gasto dos consumidores.
Depois, o IBGE precisará estimar como o consumo é abastecido: quanto corresponde à produção nacional e quanto vem de importações ilegais. Também será necessário calcular os custos da atividade para chegar ao Valor Adicionado Bruto (VAB), indicador que mede o quanto uma atividade acrescenta à economia depois do desconto dos bens e serviços usados na produção.



