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Lula cobra controle das contas e propõe discutir mandatos para ministros do STF

Em encontro com empresários em São Paulo, presidente também criticou agências reguladoras e defendeu investimento em tecnologia e minerais.

Lula cobra controle das contas e propõe discutir mandatos para ministros do STF
Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira (25) uma reforma do Judiciário, criticou a atuação das agências reguladoras e afirmou que o controle das contas públicas é uma obrigação do governo. As declarações foram feitas durante um encontro com quase 700 empresários e executivos em São Paulo.

Lula disse que recebeu o governo com déficit de 2,8% e que pretende entregar superávit de 0,1% neste ano. Para ele, o equilíbrio das contas deve ser buscado ao mesmo tempo que a responsabilidade social. O presidente rejeitou cortes na Previdência e em políticas de inclusão social como caminho para o ajuste fiscal.

“Estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória, não é nem competência do governo, é obrigatória dele”, afirmou. Lula também reclamou que o Brasil ainda não recuperou o grau de investimento, apesar da queda do risco-país, e lembrou que o país obteve essa classificação durante seus primeiros governos.

Judiciário e agências reguladoras

Na área institucional, Lula defendeu que a sociedade discuta a forma de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal e a possibilidade de substituir o cargo vitalício por mandatos. “Como é que vai escolher o ministro da Suprema Corte? Ele vai ter mandato perpétuo ou vai ter um mandato?”, questionou.

O presidente também criticou as agências reguladoras, principalmente a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Segundo Lula, dirigentes da ANP foram convocados para tratar de problemas de fiscalização. Ele afirmou que pretende rever a relação entre as autarquias e o Executivo e disse que as agências devem atuar como reguladoras, enquanto o Estado define as políticas públicas.

Durante o discurso, Lula fez duras críticas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O presidente também abordou a eleição presidencial, pediu votos e citou o vice-presidente Geraldo Alckmin como seu parceiro de chapa. Sem mencionar diretamente Flávio Bolsonaro, criticou adversários e afirmou que os eleitores sabem quais candidatos têm condições de governar o país.

Minerais, indústria e tecnologia

Lula associou a disputa eleitoral à relação do Brasil com os Estados Unidos e defendeu que terras raras e minerais críticos sejam processados e industrializados no país, em vez de apenas exportados. Ele afirmou não ser contrário ao investimento estrangeiro, mas disse que os projetos devem trazer conhecimento tecnológico.

Ao falar sobre a indústria, o presidente mencionou a retração da construção civil, dos setores automobilístico e naval e a queda das vendas de automóveis de cerca de 3,8 milhões para 1,6 milhão. Também citou Roger Agnelli, ex-presidente da Vale, e um projeto siderúrgico em Marabá, no Pará, que não foi concluído.

Na área de tecnologia, Lula elogiou a aprovação do Redata, programa de incentivos para data centers, mas alertou para o consumo de eletricidade dessas instalações. Ele defendeu a expansão da geração de energia e a criação de uma infraestrutura tecnológica própria para que o Brasil desenvolva sua inteligência artificial sem ficar restrito à disputa entre China e Estados Unidos.

O presidente ainda afirmou que o país tem condições de competir com americanos e chineses. Ao tratar das relações com Donald Trump, disse que o Brasil negocia com os Estados Unidos com base no princípio da reciprocidade e que não deve abandonar sua soberania.

Participantes

O encontro foi realizado no Hotel Tivoli Mofarrej, na região da avenida Paulista, e promovido pela Esfera Brasil, pelo grupo jurídico Prerrogativas e pelo Parlatório. Participaram, entre outros, Joesley Batista, acionista da J&F e integrante do conselho de administração da JBS; Gustavo Pimenta, CEO da Vale; Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola no Brasil; Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco; Ricardo Lacerda, do BR Partners Banco de Investimentos; Ivan Monteiro, CEO da Axia Energia; João Brito Martins, CEO da EDP para a América do Sul; e Rubens Ometto, da Cosan.

Marcos Almeida, CEO da Brookfield no Brasil, afirmou que a recuperação do grau de investimento deveria ser uma prioridade. A empresa canadense é dona de metade da Ascenty, empresa brasileira de complexos de processamento de dados.

Perto do fim, Lula voltou a defender sua chapa com Alckmin e pediu votos para o primeiro turno. Também ironizou a autonomia do Banco Central e lembrou que manteve Henrique Meirelles durante os oito anos de seus dois primeiros mandatos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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